A poderosa intercessão de Maria.
Desde os tempos remotos as Sagradas Escrituras nos falam da intercessão dos homens e dos Santos junto a DEUS. De acordo com o Concílio de Trento (1545-1563):
“Os santos que reinam agora com Cristo, oram a Deus pelos homens. É bom e proveitoso invocá-los suplicantemente e recorrer às suas orações e intercessões, para que vos obtenham benefícios de Deus, por NSJC, único Redentor e Salvador nosso. São ímpios os que negam que se devam invocar os santos que já gozam da eterna felicidade no céu. Os que afirmam que eles não oram pelos homens, os que declaram que lhes pedir por cada um de nós em particular é idolatria, repugna à palavra de Deus e se opõe à honra de Jesus Cristo, único Mediador entre Deus e os homens (1 Tm 2,5)”.
985. Ensine-se aos fiéis que os veneráveis corpos dos santos Mártires e dos outros que vivem em Cristo devem ser venerados, por terem sido membros vivos de Cristo e templos do Espirito Santo (cfr. l Cor 3, 16; 6, 19; 2 Cor 6, 16), que serão por ele ressuscitados e glorificados para a vida eterna, pois Deus tem concedido muitos benefícios aos homens por sua intercessão…
2- OS SANTOS E A INTERCESSÃO
Além das Sagradas Escrituras, os textos dos Santos Católicos trazem muitos esclarecimentos sobre a intercessão junto a Deus. A respeito, podemos destacar alguns ensinamentos:
a) São Jerônimo (340-420), doutor da Igreja
“Se os Apóstolos e mártires, enquanto estavam em sua carne mortal, e ainda necessitados de cuidar de si, ainda podiam orar pelos outros, muito mais agora que já receberam a coroa de suas vitórias e triunfos. Moisés, um só homem, alcançou de Deus o perdão para 600 mil homens armados; e Estevão, para seus perseguidores. Serão menos poderosos agora que reinam com Cristo?…”
b) Santo Hilário de Poitiers (310-367), bispo e doutor da Igreja:
“Aos que fizeram tudo o que tiveram ao seu alcance para permanecer fiéis, não lhes faltará, nem a guarda dos anjos nem a proteção dos santos”.
c) São Cirilo de Jerusalém (315-386), bispo de Jerusalém e doutor da Igreja:
“Comemoramos os que adormeceram no Senhor antes de nós: Patriarcas, profetas, Apóstolos e mártires; para que Deus, por sua intercessão e orações, se digne receber as nossas”.
3- A COMUNHÃO DOS SANTOS
Outra ponto a ser esclarecido é a Comunhão dos Santos. De acordo com o Catecismo da Igreja Católica:
“A Igreja é communio sanctorum: comunhão dos santos, isto é, comunidade de todos os que receberam a graça regeneradora do Espírito, pela qual são filhos de Deus, unidos a Cristo e chamados santos. Alguns ainda caminham nesta terra, outros morreram e estão se purificando, inclusive com a ajuda de nossas orações. Outros, enfim, gozam já da visão de Deus e intercedem por nós. A comunhão dos santos também quer dizer que todos nós, cristãos, temos em comum os dons santos, em cujo centro está a Eucaristia; também todos os outros sacramentos que a ela se ordenam e todos os demais dons e carismas (cf. Catecismo, 950).”
§956 A intercessão dos santos. “Pelo fato de os habitantes do Céu estarem unidos mais intimamente com Cristo, consolidam com mais firmeza na santidade toda a Igreja. Eles não deixam de interceder por nós ao Pai, apresentando os méritos que alcançaram na terra pelo único mediador de Deus e dos homens, Cristo Jesus. Por conseguinte, pela fraterna solicitude deles, nossa fraqueza recebe o mais valioso auxílio”:
Não choreis! Ser-vos-ei mais útil após a minha morte e ajudar-vos-ei mais eficazmente do que durante a minha vida.
Sintetizando: Comunhão quer dizer “comum união”. A comunhão dos santos é a união comum que há entre Jesus Cristo, Cabeça da Igreja, e seus membros e destes entre si: é a união comum com Jesus Cristo de todos os santos do céu, das almas do purgatório e dos fiéis que ainda peregrinam na terra.
4- A MEDIAÇÃO DE NOSSA SENHORA NO PLANO DE SALVAÇÃO
No que se refere à Virgem Santíssima na economia da salvação, a Constituição Dogmática Lumen Gentium, sobre a natureza e a constituição da Igreja, esclarece:
“Esta maternidade de Maria na economia da graça perdura sem interrupção, desde o consentimento, que fielmente deu na anunciação e que manteve inabalável junto à cruz, até à consumação eterna de todos os eleitos. De fato, depois de elevada ao céu, não abandonou esta missão salvadora, mas, com a sua multiforme intercessão, continua a alcançar-nos os dons da salvação eterna (185). Cuida, com amor materno, dos irmãos de seu Filho que, entre perigos e angústias, caminham ainda na terra, até chegarem à pátria bem-aventurada. Por isso, a Virgem é invocada na Igreja com os títulos de advogada, auxiliadora, socorro, medianeira (186). Mas isto se entende de maneira que nada tire nem acrescente à dignidade e eficácia do único mediador, que é Cristo (187).”
Também podemos citar alguns aspectos relacionados a Nossa Senhora:
a) Maria, plena de graça
Durante a anunciação, Maria é chamada pelo anjo Gabriel de “cheia da graça” (cf. Lc 1, 28). Esse termo designa Nossa Senhora como a graça em plenitude.
“Maria é introduzida no mistério de Cristo definitivamente mediante aquele acontecimento que foi a Anunciação do Anjo. Esta se deu em Nazaré, em circunstâncias bem precisas da história de Israel, o povo que foi o primeiro destinatário das promessas de Deus. O mensageiro divino diz à Virgem: “Salve, ó cheia de graça, o Senhor é contigo” (Lc 1, 28). Maria “perturbou-se e interrogava a si própria sobre o que significaria aquela saudação” (Lc 1, 29): que sentido teriam todas aquelas palavras extraordinárias, em particular, a expressão “cheia de graça” (kecharitoméne) – Bem aventurado João Paulo II.
b) Maria, medianeira de todas as graças
Por meio do batismo estamos unidos ao Corpo Místico de Cristo (I Cor 12,12), absolvido do pecado original. Assim, somos um só corpo no amor de Deus. Dessa forma, todos se beneficiam com a oração dos membros da Igreja e por isso, Nossa Senhora como Mãe da Igreja também reza por seus filhos.
c) Maria nas Bodas de Caná
Uma das passagens bíblicas que eu mais gosto é a que fala sobre “As Bodas de Caná”, pois nessa situação podemos ver claramente a atitude de Nossa Senhora em ir ao encontro do outro e estar atenta às necessidades do próximo. Nesse episódio, pela intercessão de Nossa Senhora, Jesus transformou água em vinho (Jo 2,1-11). O texto narra que, no meio da festa, o vinho acabou, e Maria, em tom de súplica, comunica a Jesus o fato, dizendo: “Eles já não têm vinho”. Maria, com sua terna caridade e seu amor maternal, comove-se diante do embaraço daqueles noivos que nada lhe pediram, mas a quem ela se antecipou a socorrer, implorando a Cristo um milagre. Aqui já podemos perceber o poder de “intercessão” de Maria junto a DEUS.
d) Maria em Pentecostes
Como no episódio das Bodas de Caná (Jo 2,1-11), Maria também tem especial importância em Pentecostes. Cabe lembrar que desde a cruz, antes de morrer, Jesus nos deu sua Mãe como nossa mãe na pessoa de São João, e ele a acolheu como Mãe.
Na verdade, todos os discípulos já haviam acolhido Maria como mãe, desde a vida pública de Jesus, pois ninguém, senão Ela havia participado de toda a vida de seu Filho, desde o momento da concepção até a ressurreição.
Entendo que esse fato fez com que fosse “preenchido” o vazio deixado pela ausência física de Jesus, após sua ascensão. Muitos poderiam pensar: “Maria era repleta do Espírito Santo, Templo da Santíssima Trindade, então por quê estaria presente no evento de Pentecostes?”. Para essa pergunta, atrevo-me a responder: em Pentecostes nasce a Igreja, e Maria, como esposa do Espírito Santo configura-se como Mãe do Corpo Místico de Cristo, tornando-a indissoluvelmente unida ao mistério de Cristo pela Encarnação e à Igreja. Não existe Igreja sem Maria e Maria sem a Igreja.
Veja este diálogo:https://blog.cancaonova.com/padrejoaozinho/2009/02/11/ajude-me-a-responder-a-este-irmao-evangelico-porque-a-igreja-catolica-venera-maria-mae-de-nosso-senhor/
➖➖➖⚜➖➖➖
⚜Dúvidas Católicas (Esclarecendo duvidas sobre a Doutrina Católica)⚜
Comentário meu⤵️
A poderosa intercessão de Maria. Desde toda a eternidade, a Virgem Santíssima foi predestinada a ser Mãe do Salvador. Exclamou São Bernardino de Siena a esse respeito: “Vós fostes predestinada no pensamento divino antes de toda criatura, para dar a vida ao mesmo Deus que quis se revestir de nossa humanidade”. Santo Agostinho vai dizer que antes de Nosso Senhor Jesus Cristo nascer de Maria, Ele a conheceu e predestinou para ser Sua mãe. Maria não foi encontrada ao acaso, mas escolhida desde todos os séculos para ser um dia Mãe do Verbo Encarnado. Por isso, diz São Lucas que “o Anjo Gabriel foi enviado a uma Virgem”(Lc 1,26) e não que foi procurar uma virgem.
Se Deus gerou e predestinou Maria para ser Mãe do Seu Filho, Deus quer continuar a precisar de Maria para não permitir que os homens esqueçam a salvação que Jesus veio trazer.
Maria não é peça descartável nos planos de Deus. Deus não age como muitos de nós que usamos as pessoas para fins interesseiros e particulares. Deus não criou Maria para usá-la e descartá-la. Ele a criou para amá-la e, através dela, amar todos aqueles que em Seu Filho também se tornaram Seus Filhos.
Um de Seus filhos mais queridos, Sã Bernardo, assim se pronunciou: “Ela é, portanto, essa magnífica estrela de Jacó, cujos raios iluminam o universo inteiro, ilumina o Céu e penetram até os infernos. Maria não se esquece dos seus filhos, está sempre disposta a interceder por nós, não quer perder nenhum para a antiga serpente”. Continua o santo: “Oh! Feliz é aquele que invoca Maria com confiança, pois alcançará o perdão dos seus pecados, dos muitos e graves que sejam; alcançará a graça e a misericórdia, e por fim a eternidade. Nos perigos, na angústia, na incerteza, invoca Maria”.
A poderosa intercessão de Maria é graça indispensável. Ela roga pelos vivos, mas também por todos aqueles que estão no purgatório.
“Eu sou a Mãe de todas as almas que se encontram no purgatório e intervenho continuamente com as minhas orações para diminuir as penas que merecem pelas culpas cometidas durante a vida delas”.
(Nossa Senhora a Santa Brígida).
Somente um homem de juízo imperfeito não recorre a esta intercessão. Maria é a portadora da misericórdia. Aqueles que nesta vida recorrem a ela terão sua intercessão no dia do supremo juízo.
Santa Terezinha de Lisieux, não encontrando nenhuma ajuda sobre a terra, se dirigiu à Mãe celeste suplicando que dela tivesse piedade quando, de repente, a própria Virgem em pessoa lhe apareceu: “Me apareceu tão bela, mas tão bela como eu nunca tinha visto nada igual, a sua expressão era de uma bondade e de uma doçura inimaginável, mas aquilo que me penetrou até o fundo da alma, foi o sorriso encantador da Nossa Senhora. Então, todas as minhas penas sumiram, duas lágrimas escorreram em silêncio sobre a minha face, mas eram lágrimas de alegria… Ah, pensei, como sou feliz. Nossa Senhora sorriu pra mim… Mas, não direi a ninguém, porque caso contrário a minha felicidade sumiria.”
No casamento de Caná da Galiléia acaba o vinho, Maria apressadamente vai ter com Jesus: “Acabou o vinho”(Jo 2,3), e Jesus responde: “Minha hora ainda não chegou”(Jô 2,4).
Verdadeiramente não era a hora de Jesus, mas Maria vê o desespero do mestre sala e dos empregados e pede a Jesus que opere o milagre naquela hora. Maria apressa a graça que Jesus tem reservada para nós. Ela suplica a Seu Filho que opere em nossas necessidades. Todos os dias Maria apresenta as talhas de água das nossas vidas e Jesus nos concede o vinho necessário, que é o vinho bom(Jô 2,10).
São Boaventura diz que a piedade de Maria era tão grande para com os aflitos enquanto estava ainda neste mundo, que muito maior será a sua piedade agora que está no Céu, da onde vê melhor as nossas misérias. E acrescenta que se Maria demonstrou-se a socorrer àqueles que não a implorava, o que não fará por aqueles que pedem a sua intercessão?
É por meio de Maria que Jesus opera Seu primeiro milagre; “E este foi o primeiro milagre de Jesus de Cana da Galiléia” (Jo 2,11). Primeiro de muitos que a Virgem desde então tem alcançado, junto a seu Filho, para nós. Maria tudo obtém de seu Filho, em nosso favor.Ir. Raphael Estevão da Santa Cruz, PJC.
Nenhum comentário:
Postar um comentário