20 setembro, 2022

🎅A verdadeira história do Papai Noel🦌

 🎅A verdadeira história do Papai Noel🦌


Conheça a verdadeira biografia de Nicolau de Mira, o santo católico que deu origem à figura lendária do “Papai Noel”.


São Nicolau, cuja memória a Igreja celebra neste dia 6 de dezembro, tornou-se conhecido por seu costume, segundo uma antiga tradição, de entregar presentes secretos aos pobres e necessitados, o que lhe valeu ser a figura hoje tão conhecida do “Papai Noel”, bastante comum nos festejos de Natal. 


Em nossos dias, porém, o mítico sobreviveu ao místico: a lenda explorada com fins comerciais acabou ofuscando a verdadeira biografia deste grande homem. Qual é, então, a sua verdadeira história?


Assista o vídeo do Pe.Paulo Ricardo explicando:⤵️

https://youtu.be/Q7mmP03vh1E


Nicolau nasceu na antiga cidade de Pátara, território da atual Turquia, por volta do ano 270, sendo educado por uma família de pais nobres e muito virtuosos. Seu desejo de dedicar-se a Deus brotou na mais tenra idade, fazendo-o viver inteiramente devotado à Palavra de Deus, de tal maneira que, tendo herdado, com a morte dos pais, grande fortuna, fez-se apenas um administrador daqueles bens que se tornaram dos pobres.


Ao mudar-se para a cidade de Mira, onde quis viver mais secretamente, Nicolau, já muito virtuoso e de uma piedade divina, foi aclamado bispo, e logo ficou famoso tanto pelos inúmeros milagres que por ele Deus realizava quanto por sua grande caridade, da qual procediam as esmolas e os presentes “secretos” aos necessitados.

Ninguém confunda sua caridade, porém, com leniência ou complacência (cf. nota ao final da matéria).


“São Nicolau de Bari esbofeteia o heresiarca Ário”, óleo sobre tela, de Giovanni Gasparro.


Nesse sentido, um episódio marcante de sua vida ficou registrado nas atas do Concílio de Niceia, a primeira grande reunião de bispos da Igreja Católica, ocorrida em 325. Na ocasião, os cristãos deparavam com uma grande e perigosa heresia: o arianismo, que negava a divindade de Jesus. O historiador católico Daniel-Rops relata que, quando os bispos ali reunidos ouviram “alguns fragmentos” dos escritos de Ário, “os erros mostraram-se tão patentes que uma onda de indignação sacudiu todos aqueles homens fervorosos” [1].


Um deles foi justamente o “bom velhinho”, São Nicolau: já cansado da insolência de Ário, conta-se que o corajoso bispo confrontou fisicamente o heresiarca, esbofeteando-lhe a boca.

Os prelados ao redor se assustaram e, mesmo discordando de Ário, viram-se obrigados a punir o “zelo excessivo” de Nicolau, trancafiando o bispo na prisão e confiscando o seu pálio e a cópia que ele possuía dos Evangelhos. A resposta do Céu à ira de São Nicolau, no entanto, parece ter sido bem outra. Alguns dias depois do ocorrido, os próprios Jesus e Maria visitaram o bispo em sua cela. “Por que estás aqui?”, teria perguntado Nosso Senhor a Nicolau, ao que ele respondeu: “Porque vos amo, meu Deus e Senhor” [2]. Imediatamente, foram-lhe devolvidos os símbolos de sua dignidade episcopal.


“São Nicolau de Bari”, óleo sobre tela, de Giovanni Gasparro.


É por isso que, em muitos ícones do santo, é possível vê-lo ladeado de Nosso Senhor e de Nossa Senhora, respectivamente com um livro e um pálio nas mãos. Destituído do ofício episcopal por seus irmãos, o bispo de Mira terminou o grande Concílio de Niceia readmitido diretamente pelo próprio Deus.

Hoje, São Nicolau é muito venerado tanto no Oriente, onde nasceu e exerceu seu ministério episcopal, quanto no Ocidente. Foi da cidade italiana de Bari, afinal, onde se encontram suas relíquias, que a devoção ao “bom velhinho” se espalhou por todo o continente europeu.

Santo Tomás de Aquino, por exemplo, foi um grande devoto de São Nicolau. Foi em um 6 de dezembro, a propósito, que o Doutor Angélico, celebrando Missa numa capela dedicada a São Nicolau, recebeu de Deus uma visão que o fez dizer, poucos meses antes de entregar sua alma a Deus: “Tudo que escrevi até hoje parece-me unicamente palha, em comparação com aquilo que vi e me foi revelado”. Sem sombra de dúvida, um presente extraordinário recebido pelas mãos de São Nicolau.


Neste tempo de Advento, preparando a vinda do Senhor, peçamos a São Nicolau que obtenha também a nós este dom de Deus: o desapego deste mundo de palha e a posse inamissível do Cristo.


São Nicolau de Mira e de Bari,

rogai por nós!

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Referências

Henri Daniel-Rops, A Igreja dos Apóstolos e dos Mártires, São Paulo: Quadrante, 1988, p. 455.

Taylor Marshall, Saint Nicholas Allegedly Punched This Heretic in the Face…Who was He?.


Notas

A respeito da veracidade dessa história, remetemos nossos leitores ao seguinte texto em inglês: Did St. Nicholas of Myra/Santa Claus punch Arius at the Council of Nicaea?, de Roger Pearse. Dele resumimos o seguinte: “Não há evidência antiga alguma de que São Nicolau tenha golpeado ou estapeado Ário no Primeiro Concílio de Niceia. A história não se encontra em nenhum texto antes do tardio século XIV, e até este faz menção apenas a ‘um certo ariano’. Nos próximos dois séculos a lenda passa a ser a de que Nicolau estapeou Ário, sendo disseminada então em obras de ficção popular e por pinturas de ícones.”


Padre Paulo Ricardo 

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Acrescento aqui uma resposta que dei a um membro sobre a origem do Papai Noel:⤵️


 🎅O Papai Noel não possui origens cristãs. Esse Papai Noel é, na verdade, uma mistura de elementos reais e fictícios que povoam o imaginário ocidental desde os tempos do paganismo. É possível citar diversos desses elementos, como por exemplo: a figura mitológica de “Belsnickel” (do folclore dos países saxões), conhecido por ser um velho de barbas grisalhas e que castigava as crianças que foram mal educadas durante o ano; ou a figura de “Olentzero” (da cultura dos bascos), que seria um sujeito que distribuía presentes para as crianças boas e deixava carvão para as crianças mal comportadas. A “mistura” de todos estes elementos foi feita pelo cartunista alemão Thomas Nast, um revolucionário ateu e anticatólico. É certo que, dentre os elementos colhidos na formação desse novo personagem, pode estar realmente presente alguma inspiração vinda de São Nicolau. Mas isso não quer dizer que o Papai Noel tenha surgido da Igreja Católica. Ora, você certamente não encontrará na história do santo alguma menção a gnomos, renas voadoras ou ao polo Norte. Posteriormente, nos anos 30, a figura do Papai Noel passou por uma remodelação feita pela marca mundialmente conhecida “Coca-Cola”. Foi aí que o “bom velhinho” ganhou a roupagem que hoje conhecemos, vestido de vermelho, com a barba branquinha e um sorriso simpático. Em outras palavras, o Papai Noel foi criado inicialmente por um ateu e, posteriormente, foi reconfigurado para vender refrigerantes. Apesar de tudo, não é o caso de demonizarmos a figura do “bom velhinho”. Não precisa excluir do seu Facebook aquela foto tirada com o “Papai Noel” do shopping, e nem se sinta mal se um dia incentivou seu tio a se vestir de vermelho pra alegrar as crianças. Ainda que não seja um personagem real e canonizado pela Igreja, mas conhecendo a história de São Nicolau podemos transferir essa ideia de Papai Noel para São Nicolau que em alguns aspectos da vida do nosso querido santo podem ser compatíveis com a ideia que fizeram do famoso “Papai Noel”, como o fato de jogar “presentes” pela janela (ou pela chaminé, se assim o desejarem), ou mesmo a predisposição que Nicolau tinha para ajudar as crianças necessitadas.


🤱O grande problema não está no “Papai Noel” em si, mas sim no lugar que ele tem tomado na nossa tradição natalina. Infelizmente, não é raro que as crianças saibam mais sobre o habitante nobre do polo norte, do que sobre o Menino-Deus nascido em Belém. Toda aquela bonita tradição de se montar o presépio em família, falar sobre os reis magos e relembrar o episódio importantíssimo da Encarnação, foi sendo lentamente substituída pela mera chegada dos presentes. Talvez seja esta a principal diferença entre São Nicolau e o Papai Noel. O primeiro viveu toda a sua vida para a honra e glória do nome de Jesus; o segundo tem obtido para si as atenções e os holofotes. O santo colocava Cristo no trono, como verdadeiro Deus; o “bom velhinho” tem tomado o lugar do aniversariante. O nosso querido bispo de Mira distribuía seus bens porque amava Deus nas pessoas; enquanto o mito “Papai Noel” estimula a troca de presentes pra movimentar a economia. Quanto a nós, irmãos, não nos esqueçamos de que o presente trazido pelo Menino-Deus no Natal é muito mais valioso do que meras caixas embrulhadas e deixadas em uma chaminé. Nosso Senhor não vem na calada da noite e vai embora escondido, como o velhinho de vermelho; ao contrário, Ele bate na porta da nossa família e pede para ficar conosco. Ao invés de limparmos as “lareiras”, que possamos preparar o trono do nosso coração para receber o verdadeiro Rei e dono da festa.🎄


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