“Os católicos dizem que não adoram Maria e os santos, mas vivem se ajoelhando para ela (eles). A Bíblia diz: 'Somente ao Senhor teu Deus adorarás' (Mateus 4: 10)! Portanto os católicos são idólatras sim!”
Resposta:
A questão é muito simples, mas é recorrente, e já foi muito bem respondida em diversas publicações católicas, e também em outros grupos e páginas virtuais competentes. Ocorre que prostrar-se não significa, necessariamente, adoração, e a própria Bíblia Sagrada, única e exclusiva regra de fé dos nossos irmãozinhos afastados, ditos "evangélicos", está cheia de exemplos dessa verdade. As dificuldades se dão porque, via de regra, não leem as Escrituras de modo consciente e consistente, com o devido discernimento da noção de todo, mas apegam-se a determinadas coletâneas de passagens. Recorramos então às próprias Escrituras, para demonstrar alguns exemplos bem claros a esse respeito. Segue.
No Livro de Josué, podemos ler:
“Josué rasgou suas vestes e prostrou-se com a face por terra até a tarde diante da Arca do Senhor, tanto ele como os anciãos de Israel.” (Js 7,6)
• Por acaso Josué, então o sumo líder do povo de Deus, juntamente com os anciãos de Israel, estavam adorando a Arca, ou aos querubins esculpidos sobre a tampa da mesma Arca? Eram eles "idólatras"? Deixaremos a resposta a cargo daqueles que nos questionam.
Já no Primeiro Livro dos Reis, lemos:
“O profeta Natã entrou e prostrou-se, com o rosto por terra, diante do rei Davi.” (1Rs 1,22-23)
• Natã, profeta de Deus, estava adorando o rei Davi? Era ele também, então, um idólatra?
Um pouco mais adiante, no mesmo livro, está escrito:
“O rei Salomão mandou mensageiros, e fizeram Adonias descer do altar. Ele então veio e prostrou-se diante do rei, que lhe disse: 'Volta para a tua casa'.” (1Rs 1,53)
• Vemos aqui uma simples descrição do antigo costume de se prostrar, isto é, ajoelhar-se, diante do rei. Se ajoelhar-se diante de um símbolo religioso (como a Arca da Aliança), ou diante do rei fosse sinônimo de adoração, todo o Israel, povo de Deus do Antigo Testamento, seria idólatra.
No Segundo Livro dos Reis, vemos o seguinte:
“Eliseu atravessou o rio. Os irmãos profetas (...) vieram ao seu encontro e prostraram-se por terra, diante dele.”
• Estavam os profetas de Deus "idolatrando", adorando a Eliseu?
Além destes, existem diversos outros exemplos nas páginas das Sagradas Escrituras que demonstram, com toda a clareza, que prostrar-se não é, necessariamente, um gesto de adoração, a qual devemos somente a Deus. Por vezes, é dever de todo temente a Deus prostrar-se diante de um símbolo ou mesmo de uma pessoa que representa o poder, a autoridade e/ou a glória de Deus. O ato de um cristão que se prostra diante da Cruz de Cristo, diante do Altar ou diante de algum símbolo religioso –, como é o caso das imagens sacras, sejam as que representam Nosso Senhor, a Santíssima Virgem ou os santos –, Santo Tomás de Aquino esclareceu com a sua habitual maestria:
“O culto da religião não se dirige às imagens em si como realidades, mas as considera em seu aspecto próprio de imagens que nos conduzem ao Deus encarnado (Cristo). Ora, o movimento que se dirige à imagem enquanto tal não termina nela, mas tende para a Realidade da qual é imagem (Deus).” (Suma 2-2. q. 81, a. 3, ad 3: Ed. Leon. 9, 180. / CIC §2132).
Cremos que a questão esteja mais do que respondida, com base na Bíblia Sagrada e na Tradição Cristã, que vem desde o início do Cristianismo e permanece até os nosso dias, como parte do Fidei Depositum da Sã Doutrina confiada à Igreja do Senhor – assim como também está escrito.
TODA GLORIA EM MARIA É PURA GRAÇA
“Ó Maria, quem és tu, destinada a ser Mãe do Filho de Deus? Como o merecestes? Como se há de formar em te aquele que fez a ti? De onde, repito, te vem tão grande bem? Tu és virgem, és santa, fizestes um voto. Mas é mais magnífico ainda o que mereceste. E muito mais, o que recebeste de graça. Como foi isso? Forma-se em ti quem te fez a ti. Faz-se em ti aquele por meio de quem tu mesmo foste feita (fit in te qui fecit te; fit in te per quem facta es).
Sim, aquele por quem foram feitos o céu e a terra, por quem foram feitas todas as coisas! Em ti, o Verbo de Deus faz-se carne! Recebendo nossa humanidade, não perde a sua divindade! O Verbo uni-se à carne, e teu seio é o tálamo de matrimônio tão sagrado. Volto a repeti-lo: teu seio e o tálamo de tão grande matrimonio, isto e, da união do Verbo com a carne. Dele “procede o mesmo esposo como de um leito nupcial” (Sl 18,56).
Maria, Jesus ao ser concebido em ti, encontrou-te virgem, e uma vez nascido ele te deixa virgem. Concede-te a fecundidade, sem te privar da integridade! De onde te vem tudo isso? Talvez, pareça importuno interrogar assim a Virgem, e temo molestar-lhe os ouvidos com essas minhas palavras. Vejo, porém, que a Virgem cheia de rubor, responde instruindo-me: Por que tu me perguntas de onde me veio tudo isso? Ruborizo-me ao te responder, declarando-te o que é o meu maior bem. Escuta a saudação do anjo, e reconhece em mim as fontes de tua salvação. Crê naquele em quem eu acreditei. Por que tu me perguntas de onde me veio tudo isso? Que o próprio anjo te dê a resposta: Dize-me, ó anjo, de onde veio tal glória a Maria? E o anjo diz: Eu já o declarei ao saudá-la: "Ave, cheia de graça" (Gratia plena!) (Lc 1,28) - Sermão 291
Este item 6 do sermão 291 é particularmente belo e evocativo. Revela de modo comovente o grande amor e a sincera admiração de Santo Agostinho para com a Virgem Maria.
Nesse mundo maravilhoso da graça divina, o doutor de Hipona encontra-se como em seu campo próprio: ele, o "Doutor da Graça".
Convém reler toda a carta encíclica Redemptoris Marter, do papa João Paulo II, em particular a primeira parte, no item 1: "Cheia de Graça", para sentirmos como os ensinamentos do Santo Padre acham-se em perfeita consonância com os de Santo Agostinho.
Extraído do Livro: "A Virgem Maria"- Santo Agostinho.
“Sobre Maria jamais se dirá o bastante”
São Bernardo de Claraval
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⚜Dúvidas Católicas (Esclarecendo duvidas sobre a Doutrina Católica)⚜
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