15 setembro, 2022

O Papa é infalível em tudo o que diz ou faz❓Parte 1

Bispo explica dogma da infalibilidade papal.


Sinto, meus irmãos, que alguns gostariam de fazer certas objeções — objeções que ouviram, ou leram, contra a infalibilidade do Papa. Não se pode imaginar quanta ideia errônea circula por aí a respeito desse dogma e quanta gente há que levanta contra ele objeções, porque tem sobre a infalibilidade do Papa uma noção que a Igreja nunca, e em parte alguma, ensinou.


Ouçamos o que alguns dizem sobre essa questão.


1. “Tudo o que ouvimos até agora é certo. É preciso que seja assim. Não duvido. Mas que o Papa seja infalível em tudo, não posso crê-lo.”

Mas onde é que a Igreja ensina semelhante coisa, meus irmãos? Onde é que ela ensina que o Papa é infalível em tudo? É unicamente nas questões de fé e de moral, e, ainda, somente quando ele não se pronuncia como doutor particular [1], mas quando, oficialmente, como chefe da Igreja, proclama uma decisão que atinge toda a Igreja. É só então — e não noutros casos.

Muita gente tem sobre a infalibilidade do Papa uma noção que a Igreja nunca, e em parte alguma, ensinou.

Suponhamos, por exemplo, que seja eleito Papa alguém que antes era um grande matemático. E eis que se apresenta a ele um professor de matemática e lhe diz: “Santíssimo Padre, há anos que lido com um problema, e agora consegui resolvê-lo. Vede se a solução está exata.” O Papa examina-a. “Está exata” — diz ele enfim. E agora a solução está certamente exata porque o “Papa infalível” assim a achou? De modo algum. Por quê? Porque Cristo não lhe deu a infalibilidade para isso. E por que não? Porque isso não interessa à salvação dos homens, e a infalibilidade não é necessária nesse caso.

Tomemos outro exemplo. O Papa Pio XI, antes do seu pontificado, era o sábio bibliotecário da biblioteca Ambrosiana em Milão. Suponhamos que um historiador fosse ter com ele, levando um velho manuscrito, e lhe dissesse: “Santíssimo Padre, descobri um manuscrito extremamente importante, mas não posso decidir se não é falsificado.” O Papa examina-o e responde: “O documento é autêntico.” É ele agora seguramente autêntico porque o “Papa infalível” o disse? Absolutamente não. E por quê? Porque Cristo não lhe deu a infalibilidade para isso.

Se o Papa calcula mal, ou engana-se em História, isso não interessa à salvação eterna dos fiéis. Mas quando decide em matéria de fé e de moral, não pode enganar-se. Porém, mesmo aqui, somente se ele toma uma decisão aplicável à Igreja universal, e na qualidade de chefe de toda a Igreja.


2. Outros apresentam outra objeção. Consideram inconveniente que o Papa, em virtude da infalibilidade, “seja elevado a uma glória sobre-humana”, como se “deixasse de ser mortal”, e até mesmo que esteja seguro da sua salvação eterna, visto como — dizem eles —, se ele é infalível, “então não pode mais pecar”.


Precisarei, irmãos, dizer-vos que absolutamente não se trata disto❓

O Papa infalível também pode pecar❓ Sim, pode, pois as duas coisas são independentes.


a) “O Papa está circundado de glória sobre-humana”? Quando o Papa é coroado, é conduzido solenemente em procissão à Basílica de São Pedro. Mas o mestre de cerimônias faz parar a procissão e, acendendo um punhado de estopa, diz ao Papa: Beatissime Pater, sic transit gloria mundi, que quer dizer: “Santo Padre, assim passa a glória do mundo”. A vossa também passará — mas sois infalível, porque as duas coisas são independentes.


b) “O Papa deixa de ser um mortal”? Na terça-feira gorda tem lugar o célebre carnaval italiano. Mas, no dia seguinte, as igrejas estão cheias de fiéis para receber as cinzas. Na capela do Vaticano um velho sacerdote, vestido de branco, está ajoelhado diante do altar; outro sacerdote desce do altar e, enquanto impõe as cinzas na fronte do Papa e o Papa inclina a cabeça branca, a Igreja pronuncia sobre ele a mesma fórmula que sobre os milhões de fiéis nesse dia: Memento, homo, quia pulvis es et in pulverem reverteris, “Lembra-te, homem, de que és pó e ao pó hás de tornar”. Também vós, Santíssimo Padre, volvereis ao pó — mas sois infalível, porque, as duas coisas são independentes.


c) “E o Papa não pode mais pecar”?❓A infalibilidade não significa isso. Ele não pode enganar-se em questões de fé e de moral, mas pode enganar-se na sua própria vida moral. As fraquezas da natureza humana subsistem no Papa, ele também pode cometer pecados e — ai! — a história narra tristes quedas morais relativamente a alguns. Cristo, que suportou até mesmo um Judas entre seus Apóstolos, não escolheu os Papas unicamente dentre os santos.

Sim, tem havido entre eles mais santos e personagens virtuosos do que em qualquer família reinante; mas houve também — infelizmente — um Alexandre VI. E não há Papa que ouse aproximar-se do altar sem recitar, nas orações ao pé do altar, o que todo padre recita: Mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa, “Por minha culpa, minha culpa, minha máxima culpa”.

Cristo, que suportou até mesmo um Judas entre seus Apóstolos, não escolheu os Papas unicamente dentre os santos.

Uma tarde em cada semana, quando os derradeiros raios do sol poente iluminam as janelas do Vaticano, por trás de uma dessas janelas, um sacerdote de vestes brancas levanta-se da mesa de trabalho, percorre um corredor silencioso e bate a uma porta. Um simples padre levanta-se para lhe atender ao chamado. “Queria confessar-me”, e o Papa ajoelha-se no confessionário. Ao cabo de alguns minutos, sobre o Papa ajoelhado, sobre o Papa que se confessou, descem as palavras da absolvição: Ego te absolvo, “Eu te absolvo”. Então o Papa se confessa? Certamente. O Papa infalível também pode pecar? Sim, pode, pois as duas coisas são independentes.


Nós não fazemos, pois, do Papa “um ente sobrenatural”; o Papa não deixa de ser “um homem mortal, frágil e suscetível de cair”, apesar do que cremos e confessamos a seu respeito


Fontes: Padre Paulo Ricardo 


O Papa pode errar como todo mundo, mas não quando fala "ex cathedra". A afirmação foi do bispo diocesano de Caratinga (MG), Dom Emanuel Messias de Oliveira, em entrevista ao Portal Ecclesia.

Segundo o bispo, quando se afirma que o Papa não erra quando delibera e define solenemente algo em matéria de fé ou moral, "é aqui que afirmamos o dogma da infalibilidade em matéria de fé e costumes. Dogma é uma verdade que a Igreja apresenta como algo que se deve crer".


"Infalibilidade é o poder que o Papa tem de proclamar solenemente, verdades de fé e moral, em nome da Igreja. O Papa não inventa um dogma, ele declara solenemente como verdade de fé aquilo que a Igreja (hierarquia e povo de Deus) já acredita, mas não tinha sido ainda necessário definir".

Ao recordar o Ano da Fé, a celebração dos 50 anos do Concílio Vaticano II e dos 20 anos do Catecismo da Igreja Católica, Dom Emanuel Messias lembra que o documento do Concílio, a Constituição Dogmática Lumen Gentium (Luz dos Povos), esclarece de forma concisa o conceito da infalibilidade (cf. LG 12,25).


Significado também explicado, de forma resumida, no Compêndio do Catecismo da Igreja Católica:


"A infalibilidade se exerce quando o Romano Pontífice, em virtude da sua autoridade de supremo Pastor da Igreja, ou o Colégio Episcopal em comunhão com o Papa, sobretudo reunido num Concílio Ecumênico, proclamam com ato definitivo uma doutrina referente à fé ou à moral, e também quando o Papa e os bispos, em seu Magistério ordinário concordam em propor uma doutrina como definida. A esses ensinamentos todo fiel deve aderir com o obséquio da fé" (cf. Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, nº. 185).


Dom Emanuel ressalta a importância de entender que "os dogmas de fé são afirmações da Igreja declaradas pelo Papa, como desdobramentos da Revelação Divina, ou seja, dos textos da Sagrada Escritura". E cita outro trecho da "Lumen Gentium" que diz: "a infalibilidade, de que o Divino Redentor dotou a sua Igreja, quando define a doutrina de fé e costumes, abrange o depósito da revelação que deve ser guardado com zelo e exposto com fidelidade. O Romano Pontífice, cabeça do colégio episcopal, goza desta infalibilidade em virtude do seu ofício, quando define uma doutrina de fé ou de costumes, como supremo Pastor e Doutor de todos os cristãos, confirmando na fé os seus irmãos" (cf. LG 22,32).


Para uma maior reflexão sobre o tema, o bispo sugere alguns textos, que segundo ele, podem ajudar na compreensão da atitude da Igreja. O trecho do Evangelho de Mateus: "Por isso eu te digo: Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as forças do inferno não poderão vencê-la. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus" (Mt 16,18). Ainda no livro do evangelista: "Em verdade vos digo, tudo o que ligardes na aterra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu" (Mt 18,18). E finalmente o trecho: "Ensinai-lhes a observar tudo o que vos tenho ordenado. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos" (Mt 28,20).

Dom Emanuel Messias de Oliveira.


Outras  fontes;


É possível discordar da igreja com respeito❓


Padre zezinho  responde⤵️

https://www.a12.com/radio/noticias/e-possivel-discordar-da-igreja-com-respeito


Vatican News ⤵️

https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2021-04/o-dogma-da-infalibilidade.html


O que não podemos é falar mal.

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⚜Dúvidas Católicas (Esclarecendo duvidas sobre a Doutrina Católica)⚜

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