16 setembro, 2022

😷 Os pais da Igreja e o sacramento da penitência (Confissão auricular)Por que não podemos nos confessar via internet❓

 Os pais da Igreja e o sacramento da penitência (Confissão auricular)Por que não podemos nos confessar via internet❓


Uma clara análise histórica e bíblica do Sacramento da Reconciliação.


1. INTRODUÇÃO


A penitência é “um sacramento da nova lei instituída por Jesus Cristo de que é outorgado o perdão pelos pecados cometidos logo depois do batismo através da absolvição do sacerdote àqueles que com verdadeiro arrependimento confessam seus pecados e prometem dar satisfação pelos mesmos. É chamado de sacramento e não de uma simples função ou cerimônia por que é um sinal interno instituído por Cristo para conceder graça a alma. Como sinal externo compreende as ações do penitente ao apresentar-se ao sacerdote e confessar seus pecados, e as ações do sacerdote ao pronunciar a absolvição e aplicar o perdão” (Enciclopédia Católica).

É importante notar que: “A confissão não é realizada no secreto do coração do penitente tão pouco a um leigo como amigo e advogado, tampouco a um representante de autoridade humana, mas somente a um sacerdote devidamente ordenado com a jurisdição necessária e com o poder das chaves, isto é o poder de perdoar os pecados que Cristo outorgou a sua Igreja”. (Encíclopédia Católica).

A finalidade do presente estudo consiste em se aprofundar na base bíblica e histórica do sacramento, analisar a luz desta evidência os erros introduzidos pela “reforma” protestante, assim como as distorções históricas que se propagam nas denominações surgidas desta, ao ponto de se chegar a converter em uma história alternativa completamente diferente da real.


2. O FUNDAMENTO BÍBLICO


O poder que a Igreja tem para conceder em nome de Deus o perdão dos pecados provém do mesmo Cristo que conferiu esse poder a seus apóstolos pois:

“Disse-lhes outra vez: A paz esteja convosco! Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio a vós. Depois dessas palavras, soprou sobre eles dizendo-lhes: Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos” (João 20, 21-23).

Também disse Jesus a Pedro:

“Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus” (Mateus 16, 19).

E disse mais Jesus aos apóstolos:

“Em verdade vos digo: tudo o que ligardes sobre a terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes sobre a terra será também desligado no céu” (Mateus 18, 18).

O significado de "ligar" e "desligar" não se limita a autoridade de definir o que é lícito e que não é a respeito da doutrina, mas também o poder de conceder o perdão de pecados, já que o poder outorgado aqui não é limitado: “tudo que ligares”, “tudo que desligares”, poder que por sua vez é confirmado explicitamente por Cristo ao permitir perdoar ou reter os pecados.

2.1 A EVIDÊNCIA DA RECONCILIAÇÃO NO ANTIGO TESTAMENTO

A realidade sacramental da Igreja é precedida na história por seu modelo profético, a Lei Mosaica. Na Lei Mosaica vemos (Levítico capítulos 4 e 5) que Deus exigia um sacrifício cerimonial pelos pecados cometidos pelo povo, isto é, pelos fiéis. O sacrifício se realizava no tabernáculo, (em seguida no templo) e diante dos sacerdotes, o qual em si é uma admissão pública pelo pecado. O exercício destas cerimônias não só era público, mas ainda ensinava aos pecadores a inevitável consequência do pecado: a morte. O animal que se sacrificava morria no lugar do pecador. O modo de execução de tais sacrifícios, é equivalente ao sacramento da reconciliação que não se poder negar que nele tanto o sacerdote quando o fiel tem um participação claramente definida.

“Se for alguém do povo quem pecou involuntariamente, cometendo uma ação proibida por um mandamento do Senhor, tornando-se assim culpado, trará para sua oferta uma cabra sem defeito, pela falta cometida, logo que tiver tomado consciência de seu pecado. Porá a mão sobre a cabeça da vítima oferecida pelo pecado e a imolará no lugar onde se imolam os holocaustos. Em seguida, o sacerdote, com o dedo, tomará o sangue da vítima, e pô-lo-á sobre os cornos do altar dos holocaustos, derramando o resto ao pé do altar. Tirará toda a gordura, como se fez no sacrifício pacífico, e a queimará no altar, como agradável odor ao Senhor. É assim que o sacerdote fará a expiação por esse homem, e ele será perdoado. Se for um cordeiro que oferecer em sacrifício pelo pecado, oferecerá uma fêmea sem defeito. Porá a mão sobre a cabeça da vítima oferecida pelo pecado e a imolará em sacrifício de expiação no lugar onde se imolam os holocaustos. Em seguida, com o dedo, tomará o sacerdote o sangue da vítima oferecida pelo pecado, e o porá sobre os cornos do altar dos holocaustos, derramando o resto do sangue ao pé do altar. Tirará toda a gordura como se tirou a do cordeiro do sacrifício pacífico, e a queimará no altar, entre os sacrifícios feitos pelo fogo ao Senhor. É assim que o sacerdote fará a expiação pelo pecado cometido por esse homem, e ele será perdoado” (Levítico 4, 27-35).

2.2 OBJEÇÕES PROTESTANTES

Existem inúmeras objeções por parte das diferentes denominações protestantes a respeito do Sacramento da Penitência. O protestantismo em geral declara que não é necessária a intervenção humana para que Deus perdoe o pecado e que este deve ser confessado em privado somente a Deus.

Um exemplo disso é o Manual Prático para a Obra do Evangelismo Pessoal em que se afirma:

“Não encontramos nas Santas Escrituras nenhuma só linha em que se ordene ao cristão confessar seus pecados diante de um homem” (Manual Práctico para la Obra del Evangelismo Personal, pub. Iglesia de Dios - Israelita -).

Outro exemplo desse tipo de declaração temos nos comentários de um dos mais aficionados apologistas protestantes da internet, que escreve com mais entusiasmo do que sabedoria:

“Jesus Cristo admitiu implicitamente que o único que perdoa os pecados é Deus (Marcos 2, 7 e Lucas 5, 21). E o mesmo apóstolo João afirma que Deus é fiel e justo para perdoar os pecados – se confessarmos nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar nossos pecados, e limpar-nos de toda maldade – (I João 1, 8-9). Nem neste texto, nem em nenhum outro a Escritura está registrado que algum apóstolo atuou como confessor ou absolveu os pecados de algum cristão” (A confissão auricular, Daniel Sapia).

Este tipo de objeção comete o erro de confundir quem concede o perdão (Deus), com o meio que Deus utiliza para administra-lo (o sacerdote). O texto citado não entra em contradição com a confissão do pecado ante o sacerdote ou ante a Igreja, senão que o deixa o deixa implícito, pois se parte de algo que já se sabia – que a Igreja recebeu o poder de perdoar pecados – para se dar a entender que Deus é fiel e justo para perdoar a quem reconhece suas faltas. Isto se faz mais claro se se analisar o contexto inteiro. O versículo anterior diz: “mas se dissermos a que não temos pecado, nós enganamos a nós mesmos” e o versículo seguinte completa: “Mas se reconhecermos nossos pecados, fiel e justo ele é para nos perdoar”. O contexto é em si uma exortação ao reconhecimento das próprias faltas (ao invés de negá-las) e nunca uma recusa ou aval para confessarmos nossos pecados diretamente a Deus.

Também é incorreto afirmar que Cristo admitiu que só Deus perdoa os pecados. A Escritura ensina que Ele também tem a capacidade de Fazê-lo, sem entrar em polêmica sobre sua divindade:

“Ora, para que saibais que o filho do homem tem na terra o poder de perdoar os pecados” (Mateus 9, 6).

Dessa maneira, fica provado através de um milagre físico (o sinal externo da cura do paralítico) o que é um verdadeiro milagre espiritual (a realidade interna do perdão do pecado). Assim, na conclusão deste ensinamento, é-nos declarado:

“Vendo isto, a multidão encheu-se de medo e glorificou a Deus por ter dado tal poder aos homens” (Mateus 9, 8).

É óbvio que isto não se refere a uma sanidade física, que era a prova tangível de um milagre muito mais poderoso: o milagre da cura espiritual do enfermo através do perdão dos seus pecados. E enquanto esse milagre da saúde física, nesse contexto, se fizesse única vontade reconhecida por Cristo na ocasião de apenas curar (mesmo assim, coisa que não se admite) – sem nenhuma realidade implícita além, isto tampouco teria por que impedir que Cristo posteriormente pudesse transmitir esse poder a seus apóstolos, tal como é finalmente testificado nas Escrituras.

Também não é verdade que nenhum apóstolo ou qualquer outro agiu como um confessor, ou que não há nenhuma menção nas Escrituras de qualquer homem confessar os pecados. Há referências bíblicas explícitas que a chegam demolir por completo essas reivindicações, mostrando que os pecadores arrependidos não se limitaram à confissão interior. O Evangelho de São Marcos narra como aqueles que vieram a João Batista para ser batizado confessavam seus pecados:

“Pessoas de Jerusalém, de toda a Judeia e de toda a circunvizinhança do Jordão vinham a ele. Confessavam seus pecados e eram batizados por ele nas águas do Jordão” (Mateus 3, 5-6).

O mesmo se afirma daqueles que, ao se converter, vinham aos apóstolos:

“Muitos dos que haviam crido vinham confessar e declarar suas práticas” (Atos 19, 18).

Existem evidências também de que o pecador não somente devia confessar seus pecados a Deus, mas também a Igreja:

“Confessai os vossos pecados uns aos outros, e orai uns pelos outros para serdes curados. A oração do justo tem grande eficácia” (Tiago 5, 16).

Apesar de não vermos nesses textos uma confissão auricular tal como a conhecemos hoje, podemos ver dois fatos principais: (a) Cristo deu aos apóstolos o poder de perdoar os pecados, e que (b) o pecador não se limitou à confissão interior. Como poderiam os Apóstolos perdoar pecados secretos a menos que o fiel confesse?

É incorreta também a objeção de que quando na Escritura de ordena confessar os pecados se refere a pedir perdão aos irmãos que ofendemos. Se uma ofensa é um pecado, nem todos os pecados são uma ofensa ao próximo e reduzir a isto o significado do texto é desvirtuar seu significado real e completo.

Quando a Escritura fala da confissão dos pecados não se refere a pedir perdão a algum irmão por haver ofendido. Compare esta interpretação com a narrativa de São Marcos:

“E saíam para ir ter com ele toda a Judeia, toda Jerusalém, e eram batizados por ele no rio Jordão, confessando os seus pecados” (Marcos 1, 5).

Deveríamos interpretar que todas as pessoas da Judeia e Jerusalém haviam ofendido a João Batista? Se aplicarmos a Atos 19, 18 – “Muitos dos que haviam crido vinham confessar e declarar suas práticas” – deveríamos interpretar que todos os novos conversos haviam ofendido os apóstolos. Note que o texto aqui é particularmente claro, porque fala de confessar e declarar “suas práticas”, não suas ofensas. Recordemos também que o primeiro ofendido por nossos pecados é Deus, pois todo pecado é primeiramente uma violação da Justiça Divina.


3. FOI O CONCÍLIO LATERANO IV QUE CRIOU A CONFISSÃO AURICULAR?


Existe uma grande variedade de distorções históricas em cima do sacramento da penitência entre as seitas protestantes. Algumas vêm a confissão auricular (componente importante do sacramento) como um invento do segundo milênio. Um exemplo deste tipo de distorção é encontrado no “Manual prático para a obra do evangelismo pessoal” já citado, em que se afirma a esse respeito:

“A confissão auricular aos sacerdotes foi oficialmente estabelecida na Igreja Romana no ano de 1215. Mais tarde no Concílio de Trento em 1557, pronunciou maldições sobre todos aqueles que haviam lido na Bíblia o suficiente para rejeitar a confissão auricular.”

É importante deixar claro que as definições dogmáticas dos concílios não podem ser interpretadas como que de alguma maneira se está introduzindo uma nova doutrina. Estas definições só ocorrem quando uma verdade fundamental é questionada ou necessita ser definida claramente para o bem dos fiéis.

Mas onde os protestantes acharam no concílio Laterano IV uma instituição da confissão auricular? Transcreveremos abaixo todo o cânon 21 que trata sobre a confissão auricular para vermos se há a criação de alguma coisa:

“Todos os fiéis de ambos os sexos devem, depois de terem atingido a idade do discernimento, fielmente confessar todos os seus pecados pelo menos uma vez por ano ao seu próprio (pároco) sacerdote e realizar no melhor de sua capacidade a penitência imposta, recebendo com reverência pelo menos na Páscoa o sacramento da Eucaristia, a menos que, talvez, seguindo o conselho de seu próprio sacerdote podem, por um bom motivo se abster por um tempo da recepção dela, caso contrário eles devem ser cortados da Igreja (excomungados) durante a vida e privados de um enterro cristão na morte. Portanto, que este salutar decreto seja publicado com frequência nas igrejas, que ninguém pode encontrar no fundamento de ignorância sombra de desculpa. Mas, se alguém por um bom motivo desejaria confessar seus pecados a outro sacerdote, primeiramente, procure e obtenha a permissão de seu próprio sacerdote (pároco), pois, caso contrário ele (o outro sacerdote) não pode desligá-los ou ligá-los.

O sacerdote seja discreto e cauteloso. Que ele possa derramar vinho e azeite nas feridas de um dos feridos segundo o proceder de um médico habilidoso, cuidadosamente investigar as circunstâncias do pecador e do pecado, a partir da natureza da qual ele pode entender que tipo de conselho dar e qual o remédio aplicar, fazendo uso de experimentos diferentes para curar o doente. Todavia, exercite-o na maior precaução. Que ele não faça conhecido o pecador em qualquer grau por palavra, sinal ou outra forma, mas que ele deve precisar do mais prudente concelho, busque-o dele cautelosamente sem qualquer menção de pessoa. Aquele que se atrever a revelar um pecado confidenciado a si em tribunal de penitência, nós decretamos que ele não será apenas deposto do ofício sacerdotal, mas também relegado a um monastério de estrita observância em fazer penitência para o resto de sua vida” (Concílio Laterano, Cânon 21).

Não encontramos em nenhum lugar uma instituição da confissão da maneira disseminada pelas calúnias dos adversários da Igreja, mas somente a recomendação pastoral de que todos que atingirem a idade da razão, isto é, do discernimento façam a confissão pelo menos uma vez no ano, para o seu próprio pároco, e que tenham a permissão dele se o fizer a outro, e que qualquer sacerdote que revelar um pecado confessado seja deposto e enclausurado em um mosteiro. Este cânon não faz nada mais do que confirmar a legislação corrente na Igreja.

O concílio de Trento refutando os hereges “reformadores”, fala claramente:

“A Igreja não prescreveu através do concílio Laterano que os fiéis de Cristo deveriam confessar – uma coisa que é sabida ser um direito divino necessário e estabelecido – mas que o preceito de confessar pelos menos uma vez por ano deveria ser cumprida por todos e cada um quando chegarem a idade da razão” (Sessão XIV, c. 5).

Ou seja, o próprio concílio de Trento afirma que o artigo de Latrão não foi uma nova definição, mas apenas as regras de como se fazer a confissão que é mandamento do próprio Cristo. As bravatas começaram a surgir quando os pseudorreformadores acharam que Cristo tinha abandonado a Igreja por centenas de anos e veio, somente, restaurar a Igreja por meio deles, então começaram a negar tudo que antes era crido.

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Por que não podemos nos confessar via internet?


O argumento contra a confissão eletrônica pode parecer negativo, mas é justamente o contrário. Os requisitos para a Penitência respeitam e preservam a dimensão pessoal e social da salvação, o sacramento e os que o realizam.


https://padrepauloricardo.org/blog/por-que-nao-podemos-nos-confessar-via-internet

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⚜Dúvidas Católicas (Esclarecendo duvidas sobre a Doutrina Católica)⚜

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