16 setembro, 2022

Católicos adoram imagens (2)❓

🚨Sei que o texto é um pouco longo mas pega sua Bíblia e faça seu estudo. 


Nós católicos não adoramos imagens. Adorar uma imagem é fazer dela um ídolo (em grego, εἴδωλον, eidolon), algo (objeto ou criatura) que é colocado no lugar de Deus, ou seja, um falso deus, e a Igreja em seus 2.000 anos de história nunca ensinou tal prática. Para nós católicos, as imagens não têm o mesmo significado que tinham para os pagãos, que as consideravam realmente como deuses. Nós não as adoramos e sabemos perfeitamente que são representações, seja de Cristo, seja de alguma criação de Deus.


Deus condena a idolatria. Mas seria lícito para um cristão confeccionar ou possuir imagens?


“O Senhor disse a Moisés: […] Farás dois querubins de ouro; e os farás de ouro batido, nas duas extremidades da tampa, um de um lado e outro de outro, fixando-os de modo a formar uma só peça com as extremidades da tampa. Terão esses querubins suas asas estendidas para o alto, e protegerão com elas a tampa, sobre a qual terão a face inclinada. Colocarás a tampa sobre a arca e porás dentro da arca o testemunho que eu te der. Ali virei ter contigo, e é de cima da tampa, do meio dos querubins que estão sobre a arca da aliança, que te darei todas as minhas ordens para os israelitas.” (Ex 25, 1. 18-22)


“Farás o tabernáculo com dez cortinas de linho fino retorcido de púrpura violeta, púrpura escarlate e de carmesim, sobre as quais alguns querubins serão artisticamente bordados.” (Ex 26, 1)


“Fez dois querubins de ouro, feitos de ouro batido, nas duas extremidades da tampa, um de um lado, outro de outro, de maneira que faziam corpo com as duas extremidades da tampa. Esses querubins, com as faces voltadas um para o outro, tinham as asas estendidas para o alto, e protegiam com elas a tampa para a qual tinham as faces inclinadas. “(Ex 37, 7-9)


Vemos acima que por vontade de Deus, as cortinas do tabernáculo deviam ser bordadas com imagens de anjos e a arca da aliança devia ter duas esculturas de anjos. Segundo a Bíblia o próprio Deus inspirou com seu Espírito o artista Beseleel, dando-lhe habilidade, sabedoria e inteligência:


“O Senhor disse a Moisés: “Eis que chamei por seu nome Beseleel, filho de Uri, filho de Hur, da tribo de Judá. Eu o enchi do espírito divino para lhe dar sabedoria, inteligência e habilidade para toda sorte de obras: invenções, trabalho de ouro, de prata, de bronze, gravuras em pedras de engastes, trabalho em madeira e para executar toda sorte de obras.” (Ex 31, 1-5)


Inclusive, a Bíblia menciona que a arca da aliança é do Senhor dos exércitos, que se senta sobre os querubins:


“O povo mandou, pois, buscar em Silo a arca da aliança do Senhor dos exércitos, que se senta sobre querubins. Os dois filhos de Heli, Ofni e Finéias, acompanhavam a arca da aliança de Deus. Quando a arca do Senhor entrou no acampamento, todo o Israel rompeu num grande clamor, que fez tremer a terra. Os filisteus, ouvindo-o, disseram: Que significa esse grande clamor no acampamento dos hebreus? E souberam que a arca do Senhor tinha chegado ao acampamento. Então tiveram medo e disseram: Deus chegou ao acampamento. Ai de nós! Até agora nunca se viu coisa semelhante!” (I Sm 4, 4-7)


“e pôs-se a caminho com toda a sua gente, indo a Baalé de Judá, para trazer dali a arca de Deus, sobre a qual é invocado o nome, o nome do Senhor dos exércitos, que se assenta sobre os querubins.” (II Sm 6, 2)


“Quando Moisés entrava na tenda de reunião para falar com o Senhor, ouvia a voz que lhe falava de cima do propiciatório colocado sobre a arca do testemunho, entre os dois querubins. E falava com o Senhor.” (Nm 7, 89)


O Templo de Deus


Nas próximas passagens bíblicas, o rei Salomão – o homem mais sábio e inteligente que já existiu segundo as Escrituras (“vou satisfazer o teu desejo; dou-te um coração tão sábio e inteligente, como nunca houve outro igual antes de ti e nem haverá depois de ti.” I Rs 3, 12) – fez inúmeras imagens para o templo de Deus:


“A casa ficou assim inteiramente coberta de ouro, como também toda a superfície do altar que estava diante do santuário. Fez no santuário dois querubins de pau de oliveira, que tinham dez côvados de altura. Cada uma das asas dos querubins tinha cinco côvados, o que fazia dez côvados da extremidade de uma asa à extremidade da outra. O segundo querubim tinha também dez côvados; os dois tinham a mesma forma e as mesmas dimensões. Um e outro tinham dez côvados de altura. Salomão pô-los no fundo do templo, no santuário. Tinham as asas estendidas, de sorte que uma asa do primeiro tocava uma das paredes e uma asa do segundo tocava a outra parede, enquanto as outras duas asas se encontravam no meio do santuário. Revestiu também de ouro os querubins. Mandou esculpir em relevo em todas as paredes da casa, ao redor, no santuário como no templo, querubins, palmas e flores abertas. […] Nos dois batentes de pau de oliveira mandou esculpir querubins, palmas e flores desabrochadas, e cobriu-as de ouro; cobriu de ouro tanto os querubins como as palmas.” (I Rs 6, 22-29 .32)


“Fez também duas bases de bronze, tendo cada uma quatro côvados de comprimento, quatro de largura e três de altura. Eis como eram feitas essas bases: eram formadas de painéis e enquadradas de molduras. Nos painéis enquadrados de molduras, havia leões, bois e querubins, assim como nas travessas igualmente. Por cima e por baixo dos leões e dos bois pendiam grinaldas em forma de festões. Cada base tinha quatro rodas de bronze, com seus eixos de bronze, e nos quatro cantos havia suportes fundidos que sustinham a bacia, os quais estavam por baixo das grinaldas. A abertura para a bacia era no interior dos suportes, e os ultrapassava de um côvado de altura; era cilíndrica e seu diâmetro era de um côvado e meio; e era também ornada de esculturas. Os painéis eram quadrados e não redondos. […] Nas placas dos seus esteios e dos painéis assim como no espaço livre entre estas, esculpiu querubins, leões, palmas e grinaldas circulares.” (I Rs 7, 27-31 .36)


“O rei revestiu de ouro a sala: traves, umbrais, paredes e portas; nas paredes mandou esculpir querubins. Fez também a construção da sala do Santo dos Santos, cujo comprimento, igual à largura do edifício, era de vinte côvados. O valor do ouro fino, com que o recobriu, era de seiscentos talentos. Mesmo os pregos eram de ouro e pesavam cinqüenta siclos. Revestiu igualmente de ouro os aposentos. Para o interior do Santo dos Santos, mandou esculpir dois querubins e os revestiu de ouro. O comprimento de suas asas era de vinte côvados; uma asa do primeiro, de cinco côvados de comprimento, tocava a parede da sala, e outra, de cinco côvados, tocava a asa do segundo querubim. Uma asa do segundo querubim, de cinco côvados de comprimento, tocava a parede da sala, e a outra, de cinco côvados de comprimento, tocava a asa do primeiro. Assim, a envergadura das asas destes querubins era de vinte côvados. Sustentavam-se sobre seus pés, com o rosto voltado para a sala. O rei mandou fazer uma cortina em púrpura violeta, carmesim e linho fino, e nela mandou bordar querubins.” (II Cr 3, 7-14)


“Acima da porta, no interior e no exterior do templo, e por toda a parede em redor, por dentro e por fora, tudo estava coberto de figuras: querubins e palmas, uma palma entre dois querubins. Os querubins tinham duas faces: uma figura humana de um lado, voltada para a palmeira, e uma face de leão voltada para a palmeira, do outro lado, esculpidas em relevo em toda a volta do templo. Desde o piso até acima da porta, havia representações de querubins e palmeiras, assim como na parede do templo. A porta do templo era de ângulos retos. Diante do santuário, havia alguma coisa como um altar de madeira. […] Assim como nas paredes, querubins e palmeiras eram figurados nas portas do templo. Na fachada do vestíbulo no exterior, havia um anteparo de madeira.” (Ez 41, 17-21 .25)


Será que um lugar repleto de imagens por todo lado é do agrado de Deus? Qual foi a reação de nosso Senhor? Repudiou e mandou destruí-las? – como fariam os iconoclastas – ou repudiou e os acusou de idolatria? – como fariam alguns protestantes – Pelo contrário, Deus deixa claro a aprovação, veja o que nos narra as escrituras:


“Quando os sacerdotes saíram do lugar santo, a nuvem encheu o templo do Senhor, de modo tal que os sacerdotes não puderam ali ficar para exercer as funções de seu ministério; porque a glória do Senhor enchia o templo do Senhor.” (I Rs 8, 10-11).


É importante observar que era nesse templo de Deus – mesmo que reconstruído por Zorobabel e ampliado por Herodes, o Grande – que os apóstolos e Jesus iam para orar e ministrar:


“Jesus passeava no templo, no pórtico de Salomão.” (Jo 10, 23) 


“Enquanto isso, realizavam-se entre o povo pelas mãos dos apóstolos muitos milagres e prodígios. Reuniam-se eles todos unânimes no pórtico de Salomão” (At 5, 12)


Jesus e os apóstolos frequentavam o templo que era repleto de imagens. Veremos abaixo que a própria Bíblia já nos indica que no tempo de Jesus, o templo também era repleto de imagens esculpidas em suas paredes, assim como era no tempo do rei Salomão (descrito em I Reis e II Cronicas) e no tempo de Zorobabel (descrito pelo profeta Ezequiel). Contudo, o famoso historiador Fávio Josefo (Século I d.C.) em sua obra: A Guerra dos Judeus, colabora com preciosas informações sobre como era o templo no tempo que Jesus e seus apóstolos frequentavam. Observemos os fatos de forma cronológica; Sabemos que Deus escolheu Salomão para iniciar a construção de seu santuário:


“Dentre todos os meus filhos – pois o Senhor me deu muitos – ele escolheu meu filho Salomão, para fazê-lo assentar sobre o trono do reinado do Senhor em Israel. É Salomão, teu filho, disse-me Ele, que construirá Minha casa e Meus átrios, porque Eu o escolhi por filho e ser-lhe-ei um pai. […] Considera, portanto, que o Senhor te escolheu para construir uma casa que será seu santuário. Coragem, e põe-te a trabalhar.” (I Cr 28, 5-6 .10)


Os moldes e características do templo foram prescritos pelo próprio Deus:


“Davi deu a Salomão, seu filho, os planos do pórtico e das construções, salas do tesouro, aposentos superiores, aposentos interiores, assim como os da sala do propiciatório: o plano de tudo que ele tinha no espírito referente ao átrio do templo, e a todas as salas ao redor, para os tesouros do templo e os tesouros das coisas sagradas, para as classes de sacerdotes e levitas, assim como toda a organização do serviço da casa de Deus; o modelo dos utensílios de ouro, com o peso de ouro, para todos os utensílios de cada serviço; o modelo de todos os utensílios de prata, com o peso de prata, para todos os utensílios de cada serviço; […] do altar dos perfumes, em ouro fino, com o peso; o modelo do carro, dos querubins de ouro que estendem suas asas para cobrir a arca da aliança do Senhor. Tudo isso, disse Davi, todos os modelos destas obras, foi o Senhor quem me ensinou por um escrito de sua mão.” (I Cr 28, 11-14; 18-19)


Quando Zorobabel comandou a reconstrução do templo destruído pelos babilônios, a intenção foi preservar as características prescritas pelo próprio Deus, mantendo os mesmos moldes e propriedades tradicionais de sua construção:


“E disse-lhe: Toma estes utensílios; leva-os para o templo de Jerusalém; e que a casa de Deus seja reconstruída sobre os seus alicerces.” (Ed 5, 15) 


“Outrossim, devolveremos os utensílios de ouro e prata da casa de Deus, que Nabucodonosor havia tomado do templo de Jerusalém, e transportado para Babilônia; serão repostos no templo de Jerusalém no mesmo lugar em que estavam, e nós os depositaremos na casa de Deus.” (Ed 6, 5)


“que o rei e Jojada entregavam ao empreiteiro das obras do templo. Este contratava os carpinteiros, os canteiros e os trabalhadores que modelavam o ferro e o bronze, para restaurar e reparar o templo do Senhor. Os empreiteiros fizeram com que os reparos fossem acabados pelos seus cuidados, e restabeleceram o templo em seu primeiro estado e o consolidaram. Terminado o trabalho, devolveram na presença do rei e de Jojada o restante do dinheiro, com o qual fabricaram utensílios para o serviço do templo e para os holocaustos, assim como taças e outros objetos de ouro e prata. Enquanto viveu Jojada, foram regularmente oferecidos os holocaustos no templo do Senhor. […] Sepultaram-no na cidade de Davi, com os reis, pois ele tinha feito o bem em Israel para com o Senhor e seu templo.” (II Cr 24, 12-14 .16)


“Então o Senhor inspirou coragem a Zorobabel, filho de Salatiel, governador de Judá, e ao sumo sacerdote Josué, filho de Josedec, bem como a todo o resto do povo: todos puseram-se a trabalhar na construção da casa do Senhor dos exércitos, seu Deus,” (Ag 1, 14)  


“Todavia, ó Zorobabel, tem ânimo, diz o Senhor. Coragem, Josué, filho de Josedec, sumo sacerdote! Coragem todos vós, habitantes da terra, diz o Senhor. Mãos à obra! Eu estou convosco – oráculo do Senhor dos exércitos. Segundo o pacto que fiz convosco quando saístes do Egito, meu espírito habitará convosco. Não temais. Porque isto diz o Senhor dos exércitos: Ainda um pouco de tempo, e abalarei céu e terra, mares e continentes; sacudirei todas as nações, afluirão riquezas de todos os povos e encherei de minha glória esta casa, diz o Senhor dos exércitos. A prata e o ouro me pertencem – oráculo do Senhor dos exércitos. O esplendor desta casa sobrepujará o da primeira – oráculo do Senhor dos exércitos. […] Prestai toda a atenção no que vai acontecer a partir deste dia, a partir do vigésimo quarto dia do nono mês, dia em que foram lançadas as pedras de fundamento da casa do Senhor. Prestai toda a atenção! Vede se o grão falta ainda nos celeiros, se a vinha, a figueira, a romãzeira e a oliveira continuam improdutivas… porque a partir deste dia derramarei a minha bênção. A palavra do Senhor foi dirigida pela segunda vez a Ageu no vigésimo quarto dia do mês, nestes termos: Vai ter com o governador de Judá, Zorobabel, e dize-lhe: abalarei o céu e a terra, derrubarei o trono de todos os reis, aniquilarei o poder das nações, destruirei os carros e suas equipagens; cavalos e cavaleiros cairão, e matar-se-ão mutuamente a golpes de espada. Naquele dia – oráculo do Senhor – eu te tomarei, ó Zorobabel, filho de Salatiel, meu servo – oráculo do Senhor – e te conservarei como se conserva um sinete. Porque é a ti que escolhi – oráculo do Senhor dos exércitos.” (Ag 2, 4-9; 18-23)


“Por isso, eis o que diz o Senhor: volto novamente para Jerusalém cheio de compaixão; minha casa será nela reedificada – oráculo do Senhor dos exércitos – e o cordel será estendido sobre Jerusalém.” (Zc 1, 16)


“Então ele explicou: Este é o oráculo do Senhor a respeito de Zorobabel: não pelo poder, nem pela violência, mas sim pelo meu Espírito (é que ele cumprirá a sua missão) – oráculo do Senhor. Quem és tu, ó grande monte? Diante de Zorobabel não passas de uma planície! Ele porá a pedra de remate em meio de aclamações: Graças, graças a ela! A palavra do Senhor foi-me dirigida nestes termos: As mãos de Zorobabel lançaram os fundamentos desta casa; suas mãos levarão a bom termo a sua construção. Assim saberás que fui enviado a vós pelo Senhor dos exércitos.” (Zc 4, 6-9)


“Os anciãos dos judeus puseram-se a construir o templo e fizeram progresso, sustentados pelas profecias de Ageu, o profeta, e de Zacarias, filho de Ado. Prosseguiram a construção, segundo a ordem do Deus de Israel, e segundo a ordem de Ciro, de Dario e de Artaxerxes, rei da Pérsia. Terminou-se o edifício no terceiro dia do mês de Adar no sexto ano do reinado de Dario. Os israelitas, os sacerdotes, os levitas e os demais repatriados celebraram com júbilo a dedicação dessa casa de Deus.” (Ed 6, 14-16)


Se a Bíblia já nos relata que na época de Jesus e dos apóstolos o santuário de Deus reconstruído era repleto de imagens esculpidas em suas paredes, como vimos acima, o historiador Fávio Josefo (Século I d.C.) em sua famosa obra: A Guerra dos Judeus, nos presenteia com mais detalhes sobre o templo (já ampliado por Herodes, o Grande):


“Vamos agora falar do Templo. […] mas para se levar à perfeição uma obra tão prodigiosa, passaram-se séculos inteiros e nisso gastaram-se todos os tesouros sagrados, provenientes da devoção que os povos ali vinham oferecer a Deus, de todas as partes do mundo […] Toda a parte anterior desse pórtico era dourada e tudo que se via no Templo também o era, de sorte que os olhos mal lhe podiam suportar o brilho. A parte interior do templo estava dividida em duas: dessas duas, a primeira, elevava-se até o teto; sua altura era de noventa côvados, o comprimento, de cinquenta e a largura de vinte. A porta do interior estava coberta de lâminas de ouro, como já disse, e os lados do muro que acompanhavam eram dourados. Viam-se no alto ramos de videira do tamanho de um homem, de onde pendiam cachos de uva; tudo isso era de ouro. A outra parte da divisão do Templo, a mais interior, era mais baixa. Suas portas, que eram de ouro, tinham cinquenta côvados de altura e dezesseis de largura. Havia em frente um tapete babilônio, do mesmo tamanho, onde o azul, a púrpura, o escarlate e o linho estavam dispostos com tanta arte que causavam grande admiração; […] Toda a ordem do céu estava também representada nesse soberbo tapete, com exceção dos sinais.” (Flavio Josefo, A Guerra dos Judeus – capítulo 14 – 394, Século I d.C.)


Nada havia na face exterior do templo, que não arrebatasse os olhos de admiração e não enchesse a alma de espanto. Estava todo recoberto de lâminas de ouro, tão espessas, que quando despontava o dia, ficava-se tão arrebatado pela sua beleza como pelos dourados raios do sol. Quanto aos outros lados, onde não havia ouro, as pedras eram tão brancas, que aquela soberba massa parecia, de longe, aos estrangeiros que ainda não as tinham visto, um monte coberto de neve. (Flavio Josefo, A Guerra dos Judeus – capítulo 14 – 395, Século I d.C.)


A maravilha e grandeza do templo chegou a impressionar até os apóstolos de Jesus:


“Ao sair do templo, os discípulos aproximaram-se de Jesus e fizeram-no apreciar as construções.” (Mt 24, 1)


“Saindo Jesus do templo, disse-lhe um dos seus discípulos: Mestre, olha que pedras e que construções!” (Mc 13, 1) 


Logo em seguida, Jesus lhes revela como prefiguração a destruição do templo (Conforme ocorreu em 70 d.C., quando os Romanos, sob comando do general Tito, tomaram Jerusalém):


“Jesus, porém, respondeu-lhes: Vedes todos estes edifícios? Em verdade vos declaro: não ficará aqui pedra sobre pedra; tudo será destruído.” (Mt 24, 2)


“Jesus replicou-lhe: Vês este grande edifício? Não se deixará pedra sobre pedra que não seja demolida.” (Mc 13, 2)


“Aproximando-se ainda mais, Jesus contemplou Jerusalém e chorou sobre ela, dizendo: Oh! Se também tu, ao menos neste dia que te é dado, conhecesses o que te pode trazer a paz!… Mas não, isso está oculto aos teus olhos. Virão sobre ti dias em que os teus inimigos te cercarão de trincheiras, te sitiarão e te apertarão de todos os lados; destruir-te-ão a ti e a teus filhos que estiverem dentro de ti, e não deixarão em ti pedra sobre pedra, porque não conheceste o tempo em que foste visitada.” (Lc 19, 41-44)


“Como lhe chamassem a atenção para a construção do templo feito de belas pedras e recamado de ricos donativos, Jesus disse: Dias virão em que destas coisas que vedes não ficará pedra sobre pedra: tudo será destruído.” (Lc 21, 5-6) 


Como já observado, era nesse templo de Deus que os apóstolos e Jesus iam para orar e ministrar. Templo repleto de figuras por todos os lados: onde quase tudo que se via nele era de ouro; que arrebatava os olhos de admiração; que enchia a alma de espanto; cujos moldes foram prescritos pelo próprio Deus; templo construído e reconstruído por pessoas escolhidas e designadas pelo próprio Senhor; ampliado por Herodes Magno; santuário que impressionou o historiador Flavio Josefo; que impressionou os apóstolos de Jesus; e tão bem descrito pelo profeta Ezequiel, onde ele nos narra sua visão do templo (Quando reconstruído por Zorobabel, após o exílio do povo Judeu na Babilônia):


“Acima da porta, no interior e no exterior do templo, e por toda a parede em redor, por dentro e por fora, tudo estava coberto de figuras: querubins e palmas, uma palma entre dois querubins. Os querubins tinham duas faces: uma figura humana de um lado, voltada para a palmeira, e uma face de leão voltada para a palmeira, do outro lado, esculpidas em relevo em toda a volta do templo. Desde o piso até acima da porta, havia representações de querubins e palmeiras, assim como na parede do templo. A porta do templo era de ângulos retos. Diante do santuário, havia alguma coisa como um altar de madeira. […] Assim como nas paredes, querubins e palmeiras eram figurados nas portas do templo. Na fachada do vestíbulo no exterior, havia um anteparo de madeira.” (Ez 41, 17-21 .25)


Era nesse templo banhado em ouro, coberto de figuras esculpidas em relevo por dentro e por fora, que Jesus ensinava:


“Jesus respondeu-lhe: Falei publicamente ao mundo. Ensinei na sinagoga e no templo, onde se reúnem os judeus, e nada falei às ocultas.” (Jo 18, 20)


Observemos o zelo que Jesus tinha pelo templo, o qual chamava de casa de Deus:


“Encontrou no templo os negociantes de bois, ovelhas e pombas, e mesas dos trocadores de moedas. Fez ele um chicote de cordas, expulsou todos do templo, como também as ovelhas e os bois, espalhou pelo chão o dinheiro dos trocadores e derrubou as mesas. Disse aos que vendiam as pombas: Tirai isto daqui e não façais da casa de meu Pai uma casa de negociantes. Lembraram-se então os seus discípulos do que está escrito: O zelo da tua casa me consome (Sl 68, 10).” (Jo 2, 14-17)


“Em seguida, entrou no templo e começou a expulsar os mercadores. Disse ele: Está escrito: A minha casa é casa de oração! Mas vós a fizestes um covil de ladrões (Is 56, 7; Jr 7, 11). Todos os dias ensinava no templo. Os príncipes dos sacerdotes, porém, os escribas e os chefes do povo procuravam tirar-lhe a vida. Mas não sabiam como realizá-lo, porque todo o povo ficava suspenso de admiração, quando o ouvia falar.” (Lc 19, 45-48)


“Jesus entrou no templo e expulsou dali todos aqueles que se entregavam ao comércio. Derrubou as mesas dos cambistas e os bancos dos negociantes de pombas, e disse-lhes: Está escrito: Minha casa é uma casa de oração (Is 56, 7), mas vós fizestes dela um covil de ladrões (Jr 7, 11)! Os cegos e os coxos vieram a ele no templo e ele os curou, com grande indignação dos príncipes dos sacerdotes e dos escribas que assistiam a seus milagres e ouviam os meninos gritar no templo: Hosana ao filho de Davi!” (Mt 21, 12-15)


“Jesus entrou em Jerusalém e dirigiu-se ao templo. Aí lançou os olhos para tudo o que o cercava. Depois, como já fosse tarde, voltou para Betânia com os Doze. […] Chegaram a Jerusalém e Jesus entrou no templo. E começou a expulsar os que no templo vendiam e compravam; derrubou as mesas dos trocadores de moedas e as cadeiras dos que vendiam pombas. Não consentia que ninguém transportasse algum objeto pelo templo. E ensinava-lhes nestes termos: ‘Não está porventura escrito: A minha casa chamar-se-á casa de oração para todas as nações (Is 56, 7)? Mas vós fizestes dela um covil de ladrões (Jr 7,11)’. Os príncipes dos sacerdotes e os escribas ouviram-no e procuravam um modo de o matar. Temiam-no, porque todo o povo se admirava da sua doutrina.” (Mc 11, 11. 15-18)


Como vimos, além de impedir os vendilhões de profanar a casa de Deus, Jesus orava, ensinava todos os dias e fazia milagres no templo, inclusive, logo após expulsar os vendilhões, questionado pelos judeus, Jesus usou o templo como metáfora de seu próprio corpo:


“Perguntaram-lhe os judeus: Que sinal nos apresentas tu, para procederes deste modo? Respondeu-lhes Jesus: Destruí vós este templo, e eu o reerguerei em três dias. Os judeus replicaram: Em quarenta e seis anos foi edificado este templo, e tu hás de levantá-lo em três dias?! Mas ele falava do templo do seu corpo. Depois que ressurgiu dos mortos, os seus discípulos lembraram-se destas palavras e creram na Escritura e na palavra de Jesus.” (Jo 2, 18-22)


Esse templo repleto de imagens fez parte na infância, na juventude, na fase adulta e na morte de Nosso Senhor, tanto nos primeiros anos de Cristo na terra, quanto nos últimos. Apresentação do menino Jesus no templo:


“Completados que foram os oito dias para ser circuncidado o menino, foi-lhe posto o nome de Jesus, como lhe tinha chamado o anjo, antes de ser concebido no seio materno. Concluídos os dias da sua purificação segundo a Lei de Moisés, levaram-no a Jerusalém para o apresentar ao Senhor, conforme o que está escrito na lei do Senhor: Todo primogênito do sexo masculino será consagrado ao Senhor (Ex 13, 2); e para oferecerem o sacrifício prescrito pela lei do Senhor, um par de rolas ou dois pombinhos. Ora, havia em Jerusalém um homem chamado Simeão. Este homem, justo e piedoso, esperava a consolação de Israel, e o Espírito Santo estava nele. Fora-lhe revelado pelo Espírito Santo que não morreria sem primeiro ver o Cristo do Senhor. Impelido pelo Espírito Santo, foi ao templo. E tendo os pais apresentado o menino Jesus, para cumprirem a respeito dele os preceitos da lei, tomou-o em seus braços e louvou a Deus nestes termos: Agora, Senhor, deixai o vosso servo ir em paz, segundo a vossa palavra.” (Lc 2, 21-29)


Todos os anos, Jesus e seus pais subiam de Nazaré até o templo de Deus em Jerusalém. Em uma dessas viagens, quando Cristo tinha apenas 12 anos, mencionou que estar no templo com os doutores da lei era ocupar-se das coisas de seu Pai, referindo-se às coisas de Deus:


“Seus pais iam todos os anos a Jerusalém para a festa da Páscoa. Tendo ele atingido doze anos, subiram a Jerusalém, segundo o costume da festa. Acabados os dias da festa, quando voltavam, ficou o menino Jesus em Jerusalém, sem que os seus pais o percebessem. Pensando que ele estivesse com os seus companheiros de comitiva, andaram caminho de um dia e o buscaram entre os parentes e conhecidos. Mas não o encontrando, voltaram a Jerusalém, à procura dele. Três dias depois o acharam no templo, sentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os. Todos os que o ouviam estavam maravilhados da sabedoria de suas respostas. Quando eles o viram, ficaram admirados. E sua mãe disse-lhe: Meu filho, que nos fizeste?! Eis que teu pai e eu andávamos à tua procura, cheios de aflição. Respondeu-lhes ele: Por que me procuráveis? Não sabíeis que devo ocupar-me das coisas de meu Pai? Eles, porém, não compreenderam o que ele lhes dissera. Em seguida, desceu com eles a Nazaré e lhes era submisso. Sua mãe guardava todas estas coisas no seu coração. (Lc 2, 41-51)


Até no momento em que Cristo entregou sua alma na cruz, houve uma interação com o templo de Deus, o véu de grande espessura do templo se rasgou de cima abaixo e a partir de então, quando Jesus nos possibilitou a salvação eterna, deixou descoberto o lugar mais sagrado que havia no interior do templo, o recinto que na antiga aliança era chamado de Santo dos Santos (Santíssimo). É interessante observar que até no Santíssimo e no véu que o cobria, Deus mandou colocar imagens de anjos:


“Para o interior do Santo dos Santos, mandou esculpir dois querubins e os revestiu de ouro. […] Assim, a envergadura das asas destes querubins era de vinte côvados. Sustentavam-se sobre seus pés, com o rosto voltado para a sala. O rei mandou fazer uma cortina em púrpura violeta, carmesim e linho fino, e nela mandou bordar querubins.” (II Cr 3, 10. 13-14)


A Bíblia também nos narra que mesmo depois da ressurreição de Cristo, seus apóstolos frequentavam o templo diariamente nos primeiros tempos da Igreja:


“Unidos de coração frequentavam todos os dias o templo. Partiam o pão nas casas e tomavam a comida com alegria e singeleza de coração,” (At 2, 46)


“Pedro e João iam subindo ao templo para rezar à hora nona. Nisto levavam um homem que era coxo de nascença e que punham todos os dias à porta do templo, chamada Formosa, para que pedisse esmolas aos que entravam no templo. Quando ele viu que Pedro e João iam entrando no templo, implorou a eles uma esmola. Pedro fitou nele os olhos, como também João, e disse: Olha para nós. Ele os olhou com atenção esperando receber deles alguma coisa. Pedro, porém, disse: Não tenho nem ouro nem prata, mas o que tenho eu te dou: em nome de Jesus Cristo Nazareno, levanta-te e anda! E tomando-o pela mão direita, levantou-o. Imediatamente os pés e os tornozelos se lhe firmaram. De um salto pôs-se de pé e andava. Entrou com eles no templo, caminhando, saltando e louvando a Deus. Todo o povo o viu andar e louvar a Deus. Reconheceram ser o mesmo coxo que se sentava para mendigar à porta Formosa do templo, e encheram-se de espanto e pasmo pelo que lhe tinha acontecido. Como ele se conservava perto de Pedro e João, uma multidão de curiosos afluiu a eles no pórtico chamado Salomão.” (At 3, 1-11)


“E todos os dias não cessavam de ensinar e de pregar o Evangelho de Jesus Cristo no templo e pelas casas.” (At 5, 42)


Caso não fosse correto frequentar ambientes onde se tem imagens à vista, por que os apóstolos e Jesus não se incomodavam com as imagens ao frequentar o templo diariamente? Em todos esses relatos bíblicos de frequência e atividade dos apóstolos e de Jesus no templo, sempre que o templo repleto de imagens esculpidas em suas paredes é citado, não temos nenhuma ocorrência de repreensão quanto às imagens, nem de Jesus, nem dos apóstolos e nem dos anjos:


“Mas um anjo do Senhor abriu de noite as portas do cárcere e, conduzindo-os para fora, disse-lhes: Ide e apresentai-vos no templo e pregai ao povo as palavras desta vida. Obedecendo a essa ordem, eles entraram ao amanhecer, no templo, e puseram-se a ensinar. Enquanto isso, o sumo sacerdote e os seus partidários reuniram-se e convocaram o Grande Conselho e todos os anciãos de Israel, e mandaram trazer os apóstolos do cárcere. (At 5, 19-21)


A Serpente de Bronze


Neste próximo exemplo, Deus quis agir por intermédio de uma imagem, uma serpente de bronze, ordenando que Moisés a fizesse:


“e o Senhor disse a Moisés: “Faze para ti uma serpente ardente e mete-a sobre um poste. Todo o que for mordido, olhando para ela, será salvo.” Moisés fez, pois, uma serpente de bronze, e fixou-a sobre um poste. Se alguém era mordido por uma serpente e olhava para a serpente de bronze, conservava a vida.” (Nm 21, 8-9)


Note que Deus não só permitiu o uso da imagem, como também a utiliza para o seu serviço. É importante distinguir bem a diferença entre a idolatria de imagens, com a confecção de imagens, pois é exatamente neste ponto onde muitos interpretam as escrituras por seu próprio juízo e fazem confusão. Enquanto Deus proíbe a adoração de imagens, o próprio Deus ordena a confecção de imagens em diversas narrações bíblicas já citadas acima. A seguir, podemos observar bem a diferença entre usar a serpente de bronze conforme Deus ordenou e adorar a serpente de bronze, caracterizando assim, o pecado da idolatria:


“Destruiu os lugares altos, quebrou as estelas e cortou os ídolos de pau asserás. Despedaçou a serpente de bronze que Moisés tinha feito, porque os israelitas tinham até então queimado incenso diante dela. (Chamavam-na Nehustã).” (II Rs 18, 4)


Fizeram da serpente de bronze um ídolo, um falso deus. Na continuação dos mesmos textos bíblicos, vemos que essa geração idólatra vivia na total desobediência:


“Assim aconteceu porque eles não tinham escutado a voz do Senhor, seu Deus, mas tinham quebrado a sua aliança, recusando-se a ouvir e executar o que ordenara Moisés, servo do Senhor.” (II Rs 18, 12)


Observemos que a serpente de bronze foi a primeira imagem que nos remetia a nosso Senhor Jesus Cristo, conforme escrito no novo testamento:


“Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim deve ser levantado o Filho do Homem, para que todo homem que nele crer tenha a vida eterna.” (Jo 3, 14-15)


“Efetivamente, quando o cruel furor dos animais os atingiu também, e quando pereceram com a mordedura de sinuosas serpentes, vossa cólera não durou até o fim. Foram por pouco tempo atormentados, para sua correção: eles possuíram um sinal de salvação que lhes lembrava o preceito de vossa lei. E quem se voltava para ele era salvo, não em vista do objeto que olhava, mas por vós, Senhor, que sois o salvador de todos. Com isso mostráveis a vossos inimigos, que sois vós que livrais de todo o mal.” (Sb 16, 5-8)


Após a análise dos textos bíblicos até aqui, ficou claro que Deus não condena o uso de imagens sacras e sim a idolatria, pois o próprio Deus ordenou em várias situações que fossem feitas e utilizadas imagens, e que o próprio Senhor Jesus Cristo e seus apóstolos frequentavam o templo de Deus, que era repleto de imagens, logo, a confecção de imagens na Igreja Católica é bíblico, além de fazer parte do depósito da fé em 2.000 anos de tradição apostólica, como veremos no prosseguir deste estudo.


É lícito ajoelhar-se e beijar algo (objeto ou criatura) que não é Deus?


“Josué rasgou suas vestes e prostrou-se com a face por terra até a tarde diante da arca do Senhor, tanto ele como os anciãos de Israel, e cobriram de pó as suas cabeças.” (Js 7, 6) 


“Abraão levantou os olhos e viu três homens de pé diante dele [anjos]. Levantou-se no mesmo instante da entrada de sua tenda, veio-lhes ao encontro e prostrou-se por terra.” (Gn 18, 2)


“Moisés saiu ao encontro de seu sogro, prostrou-se e beijou-o. Informaram-se mutuamente sobre a sua saúde e entraram na tenda.” (Ex 18, 7)


“Davi, tendo levantado os olhos, viu o anjo do Senhor que estava entre o céu e a terra, com uma espada desembainhada em sua mão, dirigida contra Jerusalém. Então Davi e os anciãos, cobertos de sacos, prostraram-se com o rosto por terra.” (I Cr 21, 16)


“Acordou o carcereiro e, vendo abertas as portas do cárcere, supôs que os presos haviam fugido. Tirou da espada e queria matar-se. Mas Paulo bradou em alta voz: Não te faças nenhum mal, pois estamos todos aqui. Então o carcereiro pediu luz, entrou e lançou-se trêmulo aos pés de Paulo e Silas.” (At 16, 27-29)


Assim como é um erro acusar Josué (que se prostrou perante a arca da aliança), Abraão, Moisés, Davi e os anciãos de idólatras por terem se prostrado diante de algo que não é Deus, também é um erro acusar de idolatria alguém que se prostra diante de uma imagem sacra que sabe perfeitamente que são representações, seja de Cristo, seja de alguma criação de Deus. O ato de ajoelhar-se diante de algo sem a intenção de adoração, é uma forma de demonstrar respeito, humildade, reverência, veneração e admiração, lembremos que adorar uma imagem é fazer dela um ídolo, algo (objeto ou criatura) que é colocado no lugar de Deus, ou seja, um falso deus, e a Igreja nunca ensinou tal prática. Para nós católicos, as imagens não têm o mesmo significado que tinham para os pagãos, que as consideravam realmente como deuses.


“O culto da religião não se dirige às imagens em si como realidades, mas as considera em seu aspecto próprio de imagens que nos conduzem ao Deus encarnado. Ora, o movimento que se dirige à imagem enquanto tal não termina nela, mas tende para a realidade da qual é imagem.” (Santo Tomás de Aquino, S. Th. II-II, 81,3, ad 3, Século XIII).


Por exemplo, prostrar-se diante de uma imagem de Nossa Senhora, é na realidade prostrar-se diante da própria Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo, e quem não prestaria semelhante reverência diante da única pessoa que carregou o próprio Deus em seu ventre materno? A mesma reverência nós prestamos diante de imagens dos anjos e daqueles que foram grandes exemplos de fiéis seguidores de Cristo na terra, os santos, ambos dignos de nossa mais sincera veneração, admiração e respeito. Nas Sagradas Escrituras encontramos diversas outras passagens com reverência semelhante, vejamos algumas:


“Quando Davi chegou perto de Ornã, este o viu; saiu da eira e se prostrou diante de Davi, com o rosto contra a terra.” (I Cr 21, 21)


“E ele [Jacó], passando adiante, prostrou-se até a terra sete vezes antes de se aproximar do seu irmão. Mas Esaú correu-lhe ao encontro e beijou-o; ele atirou-se ao seu pescoço e beijou-o; e puseram-se a chorar. Levantando os olhos, Esaú viu as mulheres e as crianças: ‘Quem são estes que tens contigo?’, perguntou ele. ‘São, respondeu Jacó, os filhos que aprouve a Deus dar ao teu servo.’ Aproximaram-se então as servas com seus filhos e prostraram-se. Lia com seus filhos adiantaram-se por sua vez e prostraram-se, e, enfim, José e Raquel, que se prostraram também.” (Gn 33, 3-7)


“e me prostro voltado para o teu sagrado templo. […] ” (Sl 138 [137], 2)


Observação: Lembremos que o templo citado na ultima passagem, como já visto, era repleto de imagens por dentro e por fora, e que os moldes e características do templo foram prescritos pelo próprio Deus. Continuando:


“[…] Enquanto Manué e sua mulher olhavam subir para o céu a chama do sacrifício que estava sobre o altar, viu que o anjo do Senhor subia na chama. À vista disso, Manué e sua mulher caíram com o rosto por terra.” (Jz 13, 19-20)


“Então ela veio e lançou-se aos pés de Eliseu, prostrando-se por terra. Em seguida tomou o filho e saiu.” (II Rs 4, 37)


“Então o Senhor abriu os olhos de Balaão, e ele viu o anjo do Senhor que estava no caminho com a espada desembainhada na mão. Inclinou-se e prostrou-se com a face por terra.” (Nm 22, 31)


“Quando Abigail avistou Davi, desceu prontamente do jumento e prostrou-se com o rosto por terra diante dele.” (I Sm 25, 23) 


“Depois disse Davi a toda a assembléia: Bendizei ao Senhor, nosso Deus. E toda a assembléia bendisse ao Senhor, o Deus de seus pais, inclinando-se e prostrando-se diante do Senhor e diante do rei.” (I Cr 29, 20)


Perceba que esta ultima passagem nos mostra dois atos parecidos, porém com sentidos e razões diferentes: eles se prostram a Deus, para adorá-lo, mas também ao Rei, para reverenciá-lo. Deus em momento algum se enfureceu com aquilo e não os repreendeu. É oportuno observar que, na Bíblia, quando o ato de prostrar-se é recusado, é identificado com clareza nos textos bíblicos que o problema não está em se prostrar, mas em se prostrar para adorar:


“Prostrei-me aos seus pés para adorá-lo, mas ele me diz: Não faças isso! Eu sou um servo, como tu e teus irmãos, possuidores do testemunho de Jesus. Adora a Deus. Porque o espírito profético não é outro que o testemunho de Jesus.” (Ap 19, 10)


Vemos que o anjo percebeu a intenção de João, por isso o repreendeu para que ali não houvesse um ato indevido de adoração, que cabe somente a Deus. A seguir, vemos uma situação semelhante:


“Quando Pedro estava para entrar, Cornélio saiu a recebê-lo e prostrou-se aos seus pés para adorá-lo. Pedro, porém, o ergueu, dizendo: Levanta-te! Também eu sou um homem!” (At 10, 25-26)


Conforme bem especificado no texto, a prostração de Cornélio não foi uma simples reverência, mas tinha a clara intenção de adoração.

Concluindo a questão, é lícito ajoelhar-se e beijar algo (objeto ou criatura) que não é Deus, quando não há a intenção de adoração no coração daquele que o faz, ou seja, quando o receptor do ato não é colocado no lugar de Deus, como um ídolo, um falso deus, por isso a Igreja não repreende quando tal reverência é realizada à imagem sacra, ao sacerdote, às relíquias dos santos, ao altar, etc. A Igreja nos ensina a realizar tal ato com a intenção de veneração, respeito, humildade, reverência, admiração e não adoração.


É possível Deus agir (proteger, curar, etc) por intermédio das imagens?


Além do episódio já narrado acima sobre a Serpente de Bronze, onde por vontade de Deus, todos picados por víboras ficavam curados ao contemplar uma imagem feita por Moisés (Nm 21, 8-9). Temos outros exemplos nas Escrituras onde Deus utiliza-se de objetos para agir: Como quando através dos ossos de Eliseu, Deus ressuscitou um morto:


“Eliseu morreu e foi sepultado. Guerrilheiros moabitas faziam cada ano incursões na terra. Ora, aconteceu que um grupo de pessoas, estando a enterrar um homem, viu uma turma desses guerrilheiros e jogou o cadáver no túmulo de Eliseu. O morto, ao tocar os ossos de Eliseu, voltou à vida e pôs-se de pé.” (II Reis 13, 20-21)


Através dos lenços de Paulo, Deus fazia milagres extraordinários e expulsava espíritos malignos:


“Deus fazia milagres extra­or­dinários por intermédio de Paulo, de modo que lenços e outros panos que tinham tocado o seu corpo eram levados aos enfermos; e afastavam-se deles as doenças e retiravam-se os espíritos malignos.” (At 19, 11-12)


Ao tocar o manto de Jesus uma mulher foi curada:


“Ora, havia ali uma mulher que já por doze anos padecia de um fluxo de sangue. Sofrera muito nas mãos de vários médicos, gastando tudo o que possuía, sem achar nenhum alívio; pelo contrário, piorava cada vez mais. Tendo ela ouvido falar de Jesus, veio por detrás, entre a multidão, e tocou-lhe no manto. Dizia ela consigo: “Se tocar, ainda que seja na orla do seu manto, estarei curada”. Ora, no mesmo instante se lhe estancou a fonte de sangue, e ela teve a sensação de estar curada. Jesus percebeu imediatamente que saíra dele uma força e, voltando-se para o povo, perguntou: “Quem tocou minhas vestes?”. Responderam-lhe os seus discípulos: “Vês que a multidão te comprime e perguntas: Quem me tocou?”. E ele olhava em derredor para ver quem o fizera. Ora, a mulher, atemorizada e trêmula, sabendo o que nela se tinha passado, veio lançar-se a seus pés e contou-lhe toda a verdade. Mas ele lhe disse: “Filha, a tua fé te salvou. Vai em paz e sê curada do teu mal” (Mc 5, 25-34)


Além dos ossos de Eliseu, do manto de Jesus, dos lenços e outro panos de Paulo que foram utilizados por Deus como instrumento de ação, foi da vontade do Senhor utilizar-se até da sombra de Pedro:


“Enquanto isso, realizavam-se entre o povo pelas mãos dos apóstolos muitos milagres e prodígios. Reuniam-se eles todos, unânimes, no pórtico de Salomão. Dos outros ninguém ousava juntar-se a eles, mas o povo lhes tributava grandes louvores. Cada vez mais aumentava a multidão dos homens e mulheres que acreditavam no Senhor. De maneira que traziam os doentes para as ruas e punham-nos em leitos e macas, a fim de que, quando Pedro passasse, ao menos a sua sombra cobrisse alguns deles. Também das cidades vizinhas de Jerusalém afluía muita gente, trazendo os enfermos e os atormentados por espíritos imundos, e todos eles eram curados.” (Atos 19, 12-16)


Concluímos então que é possível Deus agir por intermédio de objetos, pois observando as Sagradas Escrituras, vimos registros de Deus utilizando para seu serviço, além da imagem de bronze, tecidos, ossos de um cadáver e até a sombra de um apóstolo para realização de prodígios. Veremos no prosseguir deste estudo que esse tipo de ocorrência não cessou com a morte dos apóstolos.


Fonte: Mural Católico 

➖➖➖➖⚜➖➖➖➖➖

⚜Dúvidas Católicas (Esclarecendo duvidas sobre a Doutrina Católica)⚜

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Falso post. A igreja católica nunca aceitou a reencarnação.

 Falso post. 🤨😠👎 Refutação de poster: “A Igreja Católica e a reencarnação” Em mais um desses pôsteres simplistas feitos para enganar pess...