Dentre os sacramentos da Igreja, dois recebem o título de sacramentos de cura. São eles: sacramento da penitência e unção dos enfermos.
Sobre o sacramento da penitência, o conhecemos por diferentes nomes, e cada um tem o seu significado próprio:
1. Sacramento da conversão: realiza sacramentalmente o convite de Jesus à conversão.
2 . Sacramento da penitência: consagra um esforço pessoal e eclesial de conversão, de arrependimento e satisfação do cristão pecador.
3. Sacramento de confissão: a confissão dos pecados diante do presbítero é elemento essencial desse sacramento.
4. Sacramento da reconciliação: concede ao pecador o amor de Deus que reconcilia. O penitente faz a experiência do amor misericordioso do Pai.
O sacramento da confissão tem o sigilo inviolável
Quando falamos em confissão, muitos fiéis carregam no coração o medo; não raro, há aqueles que se perguntam: “O padre não contará meus pecados para outras pessoas?”. Sobre essa questão, os documentos da Igreja afirmam o caráter inviolável do segredo da confissão. O presbítero que acolhe o penitente, ouve seus pecados e lhe administra a absolvição está sob o sigilo sacramental, isso significa que aqueles pecados ouvidos não serão revelados em hipótese alguma.
Sobre o sigilo sacramental, os documentos da Igreja afirmam: “O sigilo sacramental é inviolável, por isso, é absolutamente ilícito ao confessor, de alguma forma, trair o penitente por palavras ou de qualquer outro modo e por qualquer que seja a causa.
Tem a obrigação de guardar segredo também o intérprete, se houver, e todos aqueles a quem, por qualquer motivo, tenha chegado o conhecimento de pecados por meio da confissão” (Código de Direito Canônico, 893).
“Dada a delicadeza e a grandeza deste ministério e o respeito devido às pessoas, a Igreja declara que todo sacerdote que ouve confissões está obrigado a guardar segredo absoluto sobre os pecados que os seus penitentes lhe confessaram, sob penas severíssimas. Tão pouco pode servir-se dos conhecimentos que a confissão lhe proporciona sobre a vida dos penitentes. Esse segredo, que não admite exceções, é chamado ‘sigilo sacramental’, porque aquilo que o penitente manifestou ao sacerdote fica ‘selado’ pelo sacramento” (Catecismo da Igreja Católica, 1476).
Confissão
O termo “sigilo” vem do latim sigillum, selo, lacre. Uma vez ouvida a confissão dos pecados, o presbítero sela com seu silêncio aquilo que foi ouvido. Não poderá jamais revelar para outrem o segredo dos pecados apontados pelo penitente. Esse sigilo sacramental é extremamente sério, tanto que o Código de Direito Canônico assim expressa no Cânon 1388: “O confessor que viola diretamente o sigilo sacramental incorre em excomunhão latae sententiae reservada à Sé apostólica; quem o faz só indiretamente seja punido conforme a gravidade do delito”.
Essa violação do sigilo sacramental é direta quando se revela o pecado ouvido em confissão e a pessoa do penitente, quer indicando o nome, quer ainda manifestando pormenores que qualquer pessoa pode deduzir de quem se trata. É indireta quando não se revela tão claramente a pessoa do penitente, mas o modo de agir ou de falar do confessor é tal que origina o perigo de que alguém a conheça.
📕 O Código de Direito Canônico explica que o sigilo #sacramental é extremamente sério, pois todos os #pecados ditos durante a #confissão são sigilosos.
– Existem exceções ao sigilo da confissão?
Não. O sigilo é absoluto e inviolável. Eu sou obrigado a manter a confidencialidade sobre tudo o que me for dito. O penitente não fala ao sacerdote como um homem, mas fala a Deus. O confessor nem sequer sabe o que sentiu, porque, como homem, não sabe o que ouviu.
O que se diz na confissão está dirigido ao Bom Pastor. Segundo a doutrina clássica, o confessor é proibido de cultivar lembranças disso. Se, em algum momento, lhe vier uma lembrança, deve descartá-la, como faria com qualquer outro pensamento ilícito ou mau.
– No âmbito do Direito Canônico, quais são as consequências para o padre que violar o sigilo da confissão?
A excomunhão. Uma pena gravíssima. Significa trair o diálogo que a pessoa tem com Deus. Existe uma violação direta ou indireta. Neste último caso, é como se o sacerdote fizesse alusão, estando com outras pessoas, ao que alguém lhe disse em confissão.
– Já houve casos de padres que perderam a vida por manter o sigilo da confissão?
Nos regimes totalitários e com a cumplicidade de algumas legislações, alguns já quiseram violar à força o sigilo da confissão para obter informações sobre outras pessoas. Isso á aconteceu em vários regimes e, nesses casos, os padres foram verdadeiros mártires da fé.
Por exemplo, São João Nepomuceno sofreu o martírio antes de ceder às pressões do rei de Boêmia, que queria saber se a rainha o havia traído. São João era o confessor da rainha.
Portanto, a lei de um país não pode obrigar um sacerdote a violar o sigilo da confissão.
Se a lei diz que o confessor deve denunciar uma pessoa que se confessou de um delito cometido, evidentemente o padre não pode denunciar.
- A Suprema Corte de Louisiana (EUA) ordenou, em julho de 2014, que um padre testemunhasse, rompendo o sigilo da confissão. Diante de tal pedido, a diocese de Baton Rouge afirmou que isso é inconstitucional e ataca a doutrina da Igreja. O que o senhor achou deste caso?
Os deveres da própria missão não podem ser violados de forma alguma. Trata-se de um dever mais grave que o do sigilo profissional. A diocese respondeu bem.
– Qual é a posição da Santa Sé quando o sigilo da confissão é ameaçado pelas leis de um Estado?
A Santa Sé tenta não interferir nas decisões dos países e em suas políticas – respeitando a liberdade, não o arbítrio das leis dos países, mas a liberdade verdadeira. A fé é um ato livre. A Igreja deve reivindicar a liberdade de culto, da evangelização, do sacramento e da confissão. Se o Estado não respeitar isso, a Igreja se torna mártir.
– Um padre pode romper o sigilo da confissão para salvar a vida de outra pessoa condenada injustamente?
Não. A Igreja defende a vida até o final e sempre. Vive dentro de si estes valores. O confessor deve assumir o martírio dentro de si. Pode fazer todo o possível para salvar a vida da pessoa por meio da oração, da penitência, do testemunho. No entanto, jamais poderá contar quem foi o verdadeiro assassino.
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⚜Dúvidas Católicas (Esclarecendo duvidas sobre a Doutrina Católica)⚜
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