2) Imaculada Conceição e Assunção
São Joaquim e Sant’Ana eram marido e mulher. Nessa união foi gerada aquela que viria a ser a Mãe do Salvador. E, no exato momento em que Maria foi concebida no ventre de Sant'Anna, ela não herdou de seus pais a mancha do pecado original. Esse é o dogma da Imaculada Conceição da Virgem Maria.
Uma confusão que o povo faz é achar que o termo “imaculada” se refere à ausência de sexo da concepção. Nada a ver! Maria foi concebida como qualquer outro bebê, por meio da união física de um casal; a diferença é que sua alma foi preservada por Deus da mancha (mácula) do pecado original. E assim ela não sofria com essa nossa “tendência ao erro”. Podia pecar, se quisesse? Claro que podia! Mas, se tivesse pecado (e não pecou), teria feito isso com plena consciência e pleno consentimento de sua vontade, assim como Eva antes da queda.
Em 1854, o Papa Pio IX definiu essa crença como dogma. Então quer dizer que os católicos só começaram a crer na Imaculada Conceição a partir dessa data? Não, de modo algum! Essa sempre foi uma crença amplamente aceita ao longo dos séculos, desde as comunidades cristãs primitivas. E, durante o papado de Pio IX a Igreja entendeu que essa Tradição oral deveria, necessariamente, integrar o conteúdo de fé essencial de todos os católicos.
A proclamação do dogma foi motivada especialmente pelos eventos relacionados à Medalha Milagrosa, em que a Virgem revelou à Santa Catarina Labouré como gostaria de ser invocada: “Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós”.
E, como todo dogma, possui fundamentos na Tradição e também na Bíblia, ainda que implícitos.
Jesus e Maria esmagaram a cabeça da serpente (venceram o pecado e a morte): “Eu porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e os descendentes dela. Estes esmagar-te-ão a cabeça e tu ferirás o calcanhar deles” (Gênesis 3, 15).
O Anjo Gabriel chamou a Virgem de “cheia de graça” (Lucas 1,28).
Santa Isabel disse que ela era bendita entre todas as mulheres (Lucas 1,42).
O dogma da Imaculada Conceição é a o desdobramento natural de outro dogma: Jesus Cristo é Deus. E sendo Deus, como poderia habitar o ventre de uma mulher pecadora? Afinal, por mais santa que uma pessoa seja, ela peca com frequência – “O justo cai sete vezes por dia” (Prov. 24,16).
Agora, vamos imaginar a gestação de Jesus, conforme a versão protestante. A jovem Maria de Nazaré, mulher marcada pelo pecado original, está carregando ninguém menos do que DEUS na barriga. E, sendo muuuuito boazinha, ela comete apenas um pecado venial por dia... à vezes dois. Em um dia fala mal de alguém, no outro perde a paciência com a vizinha, no outro sente preguiça e é desleixada com seus afazeres... E assim se segue a gestação do Salvador, dia após dia: a jovem carregando o Menino DEUS dentro de si e pecando, pecando... Que tal, minha gente?
Ora, é perfeitamente lógico o ensinamento da Igreja de que o Pai preparou uma habitação digna para o Seu Filho. Ele só poderia habitar em um lugar perfeitamente santo; Sua Carne só poderia ser tecida no ventre de uma mulher sem pecado. Isso era o mais digno e conveniente.
Agora, vamos entender o fluxo: se Jesus é Deus, certamente foi gestado num ventre imaculado; se tal mulher era imaculada, logo ela foi concebida sem a mancha do pecado original; por consequência, ela jamais poderia ter a sua carne consumida pela terra. Sendo assim, ela entrou de corpo e alma dos Céus.
O dogma da Assunção de Maria foi proclamado em 1950 pelo Papa Pio XII. Alguns, influenciados pelos protestantes, pensam que a Igreja exagera no culto à Virgem. Mas, na verdade, os dogmas marianos não visam exaltar Nossa Senhora, mas sim, e sobretudo, o Seu Divino Filho.
Vamos pensar um pouquinho. Quem NÃO crê na Assunção, necessariamente, deve dizer que...
...Maria carregava a mancha do pecado original;
...Jesus foi gerado no ventre de uma pecadora (afinal, mesmo os mais santos pecam);
..ao fim de sua vida, Nossa Senhora teve seu corpo consumido pela terra;
...ou seja, o ventre que gestou o Filho de Deus (e Deus Ele mesmo) foi devorado pelos vermes.
Sou só eu que estou achando tudo isso muito estranho e incoerente? Como vemos, os dogmas são fundamentais para colocar os "pingos nos is". Eles definem as questões centrais da fé católica e nos ajudam a enxergar o Rosto de Cristo com maior clareza, evitando interpretações puramente pessoais da Bíblia.
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⚜Dúvidas Católicas (Esclarecendo duvidas sobre a Doutrina Católica)⚜
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